Se pudesse,
trocava o peso
dos teus dias
pela leveza
de um único sorriso.
Levaria comigo
as tuas inquietações,
os teus medos,
o cansaço
que por vezes
te rouba o brilho
sem pedir licença.
Porque dói
ver quem se ama
lutar em silêncio,
sabendo
que o coração
chega sempre mais longe
do que as mãos.
Há instantes
em que me sinto
à distância
de um abraço impossível.
Como se existisse
uma porta invisível
entre o que desejo fazer
e aquilo
que realmente posso alcançar.
E essa impotência
tem um peso
que nenhuma palavra
consegue aliviar.
Mesmo assim,
não desisto.
Porque amar
nem sempre significa
resolver.
Às vezes,
amar
é permanecer.
É ficar
quando nada
pode ser mudado.
É continuar
a acreditar
na tua força,
mesmo quando
és tu
quem já não a consegue ver.
Sei
que existem batalhas
que ninguém pode travar
por outra pessoa.
Mas isso
nunca impedirá
o meu coração
de caminhar
ao teu lado,
mesmo que os teus passos
tenham de ser dados
por ti.
Há noites
em que as dúvidas
fazem demasiado ruído.
Em que os pensamentos
se perdem
uns dentro dos outros.
Mas existe um lugar
que permanece
intocável.
Tu.
Aquilo que sinto
por ti
não conhece
o desgaste do tempo.
Não diminui
com a distância.
Não vacila
com as tempestades.
Pelo contrário,
aprende
a florescer
onde parecia impossível
nascer qualquer esperança.
E, se algum dia
te sentires sozinha
no meio da escuridão,
lembra-te apenas disto:
talvez eu não consiga
afastar todas as nuvens,
mas nunca deixarei
de ser
a pequena luz
que continua acesa,
à espera
de voltar a ver
o teu sorriso
iluminar o mundo.
Porque esse,
mais do que qualquer sonho,
é o lugar
onde o meu coração
sempre quererá viver.

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