Houve um tempo
em que acreditava
que o coração
obedecia à razão.
Que bastava querer
para não sentir.
Que bastava manter distância
para não criar expectativas.
Enganei-me.
Porque apareceste
com a naturalidade
de quem chega
sem anunciar a chegada,
e, sem fazer barulho,
ocupaste os lugares
que eu julgava
estarem definitivamente fechados.
Agora dou por mim
a sorrir
antes mesmo
de ler as tuas mensagens.
A procurar-te
em cada pequeno momento
que gostaria de partilhar.
A imaginar
como seria o teu riso
perante uma qualquer parvoíce
que me passou pela cabeça.
É ridículo.
E, ao mesmo tempo,
é a coisa mais bonita
que me aconteceu
nos últimos tempos.
Quanto mais tento
convencer-me
de que devia levar tudo
com mais calma,
mais o coração
faz exatamente o contrário.
Insiste.
Sorri.
Sonha.
E continua
a escolher-te.
Sem pedir autorização.
Sem pedir desculpa.
Talvez seja isso
que torna tudo tão especial.
Não existe um plano.
Não existe uma lógica.
Existe apenas
esta felicidade inesperada
que nasceu
sem eu dar por isso
e que cresce
cada vez que o teu nome
atravessa os meus pensamentos.
E, sinceramente,
já nem quero impedi-la.
Porque há sentimentos
que não aparecem
para complicar a vida.
Aparecem
para nos lembrar
que ainda somos capazes
de nos surpreender.
E, se o coração
insiste em correr
na tua direção,
quem sou eu
para lhe dizer
que está enganado?
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