quinta-feira, agosto 20, 2026

Sem Conseguir Evitar


Houve um tempo

em que acreditava

que o coração

obedecia à razão.

Que bastava querer

para não sentir.

Que bastava manter distância

para não criar expectativas.

Enganei-me.

Porque apareceste

com a naturalidade

de quem chega

sem anunciar a chegada,

e, sem fazer barulho,

ocupaste os lugares

que eu julgava

estarem definitivamente fechados.

Agora dou por mim

a sorrir

antes mesmo

de ler as tuas mensagens.

A procurar-te

em cada pequeno momento

que gostaria de partilhar.

A imaginar

como seria o teu riso

perante uma qualquer parvoíce

que me passou pela cabeça.

É ridículo.

E, ao mesmo tempo,

é a coisa mais bonita

que me aconteceu

nos últimos tempos.

Quanto mais tento

convencer-me

de que devia levar tudo

com mais calma,

mais o coração

faz exatamente o contrário.

Insiste.

Sorri.

Sonha.

E continua

a escolher-te.

Sem pedir autorização.

Sem pedir desculpa.

Talvez seja isso

que torna tudo tão especial.

Não existe um plano.

Não existe uma lógica.

Existe apenas

esta felicidade inesperada

que nasceu

sem eu dar por isso

e que cresce

cada vez que o teu nome

atravessa os meus pensamentos.

E, sinceramente,

já nem quero impedi-la.

Porque há sentimentos

que não aparecem

para complicar a vida.

Aparecem

para nos lembrar

que ainda somos capazes

de nos surpreender.

E, se o coração

insiste em correr

na tua direção,

quem sou eu

para lhe dizer

que está enganado?



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