Há momentos
em que o mundo
parece demasiado grande
para dois corações.
As palavras confundem-se.
Os silêncios alongam-se.
E o orgulho
insiste em construir
muros
onde antes existiam pontes.
Mas, quando as tuas mãos
procuram as minhas,
todas as distâncias
perdem importância.
Porque há abraços
que dizem aquilo
que a voz
nunca consegue explicar.
Neles,
o tempo abranda.
As dúvidas respiram.
E até as feridas
aprendem,
por instantes,
a descansar.
Não te peço
promessas impossíveis.
Nem juras
que o futuro
não sabe cumprir.
Peço-te apenas
que fiques
neste instante.
Que me abraces
como se o mundo
pudesse esperar
mais um pouco.
Porque descobri
que o amor
não vive
na certeza
de que tudo será perfeito.
Vive na coragem
de permanecer,
mesmo quando
o caminho
se torna difícil.
Se amanhã
a vida nos desafiar,
que seja lado a lado.
Se vier a tempestade,
que o teu abraço
continue a ser
o lugar
onde encontro paz.
E, quando o coração
vacilar entre o medo
e a esperança,
lembra-te apenas disto:
há um amor
que não precisa
de vencer todas as batalhas.
Precisa apenas
de nunca deixar
de escolher
a mesma pessoa,
vez após vez,
abraço após abraço.
Porque, enquanto me abraças,
o mundo deixa de ser
um lugar para enfrentar
e transforma-se,
simplesmente,
na casa
onde sempre quis viver.

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