Durante demasiado tempo
vivi preso
aos mesmos pensamentos,
aos mesmos medos,
às mesmas feridas
que, em silêncio,
me ensinavam
a repetir o passado.
Sabia onde tudo começava.
Sabia onde terminava.
E, mesmo assim,
voltava sempre
ao mesmo lugar.
Como se existisse
dentro de mim
uma porta fechada
que eu já nem tentava abrir.
Havia coisas
que nunca disse.
Dores
que escondi atrás de sorrisos.
E batalhas
que ninguém conheceu,
porque aprendi
a lutar sozinho.
Até que um dia
me cansei
de ser prisioneiro
daquilo que me magoava.
Percebi
que não precisava
de continuar a ser
a pessoa que o passado
tinha obrigado a criar.
Podia parar.
Podia respirar.
Podia escolher
um caminho diferente.
E foi assustador.
Porque mudar
também significa
deixar para trás
aquilo que conhecemos,
mesmo quando
nos faz sofrer.
Mas há momentos
em que permanecer
dói mais
do que partir.
Então deixei cair
o que já não conseguia carregar.
Perdoei-me
pelas vezes
em que não soube ser forte.
Perdoei o passado
por ter deixado
tantas marcas.
E, pela primeira vez,
não tentei fugir
de mim.
Fiquei.
Olhei para dentro.
E encontrei
não um homem destruído,
mas alguém
que ainda tinha força
para recomeçar.
Hoje sei
que algumas feridas
não desaparecem.
Aprendemos simplesmente
a não deixar
que elas decidam
quem somos.
E cada manhã
é uma pequena vitória:
um novo pensamento,
uma nova escolha,
um novo começo.
Porque quebrar um hábito
não é apenas deixar
de repetir o passado.
É ter coragem
de acreditar
que o futuro
pode ser diferente.
E talvez a verdadeira liberdade
comece precisamente aí:
no instante
em que deixamos
de perguntar
quanto tempo ainda
conseguiremos suportar
e começamos, finalmente,
a escolher
quanto tempo
queremos viver.





















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