Disseram-me
que o coração
segue regras.
Que ama devagar,
que escolhe com cuidado,
que evita tudo
o que possa magoar.
Sorri.
Porque nunca vi
o amor
obedecer a mapas.
Ele aparece
quando menos esperamos.
Escolhe a pessoa
que não estava nos planos.
Transforma coincidências
em lembranças,
e pequenos gestos
em lugares
onde queremos permanecer.
É estranho...
Há dias
em que bastam
duas palavras tuas
para me fazerem sorrir
durante horas.
E há silêncios
que dizem muito mais
do que conversas inteiras.
Nunca percebi
como alguém
consegue habitar
os nossos pensamentos
sem fazer barulho.
Mas tu conseguiste.
E agora encontro-te
na música,
nas cores do céu,
num livro esquecido,
numa chávena de café,
ou simplesmente
na forma
como o vento
me faz lembrar
o teu nome.
Talvez o amor
seja exatamente isso.
Uma coleção
de pequenas loucuras
que, vistas de fora,
não fazem qualquer sentido.
Mas que, vistas
por quem as vive,
são a forma
mais bonita
de existir.
Se é estranho?
Talvez.
Mas há estranhezas
que aquecem a alma.
Que devolvem cor aos dias.
Que nos fazem acreditar
que ainda vale a pena
deixar o coração
escrever a história
sem lhe pedir
qualquer explicação.
Porque, no fim,
o amor
nunca foi lógico.
Sempre foi
o mais belo
dos mistérios.

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