No fim,
quando o tempo dobrar
todas as páginas
da minha história,
não quero ser lembrado
pelas vezes
em que tropecei.
Nem pelas palavras
que ficaram por dizer.
Todos carregamos
dias em que o medo
venceu a coragem.
Escolhas
que hoje faríamos
de forma diferente.
Sombras
que ninguém vê,
mas que aprendemos
a transportar.
Ainda assim,
acredito
que uma vida
não se mede
pelos seus erros.
Mede-se
pelas mãos que levantámos,
pelos abraços
que impediram alguém
de desistir,
pelos sorrisos
que nasceram
porque estivemos presentes.
Se um dia
a minha voz
se perder no vento,
não procures
a perfeição
naquilo que fui.
Procura apenas
a verdade
com que tentei amar,
mesmo quando
não soube encontrar
as palavras certas.
Porque há cicatrizes
que ensinam.
Há quedas
que moldam.
E há despedidas
que nos lembram
de que nada
é mais importante
do que aquilo
que deixamos
no coração
de quem caminhou
ao nosso lado.
Quando tudo o resto
desaparecer,
que permaneçam
os gestos simples,
a esperança partilhada,
a bondade silenciosa
e a coragem
de nunca desistir
de ser melhor
do que fomos ontem.
Pois, no fim,
não são os nossos fracassos
que contam a história.
São as vidas
que tocámos,
o amor
que tivemos a coragem
de oferecer,
e a luz
que continua acesa
mesmo depois
de partirmos.

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