domingo, agosto 23, 2026

Na Língua dos Olhares


Há palavras

que nunca aprendemos a dizer.

Não porque faltem.

Mas porque o coração

escolhe outro idioma.

Um idioma

feito de olhares demorados,

de sorrisos discretos,

de mãos que se procuram

sem fazer perguntas.

Foi assim contigo.

Sem alarde.

Sem promessas impossíveis.

Apenas um dia

que, sem avisar,

começou a ter o teu nome

escrito em todos os meus pensamentos.

Desde então,

o mundo parece mais leve.

As manhãs

ganharam outra luz.

As noites

deixaram de ser apenas silêncio.

E até o vento

parece conhecer

o caminho

que me leva até ti.

Há quem diga

que o amor

precisa de grandes gestos.

Eu acredito

que ele vive

nas pequenas coisas.

Na vontade

de saber se já sorriste hoje.

Na preocupação

que aparece

antes mesmo de a pedires.

Na alegria serena

de imaginar

que estás bem.

Porque há pessoas

que entram na nossa vida

como uma canção.

Sem pedir licença.

E acabam por ficar

a tocar baixinho,

mesmo quando tudo

à nossa volta

fica em silêncio.

Se algum dia

os nossos caminhos

se perderem por instantes,

não procures

as pegadas.

Procura o coração.

Ele sabe sempre

onde regressar.

Porque há sentimentos

que não precisam

de ser explicados.

Basta vivê-los.

E, desde que chegaste,

descobri

que algumas almas

se reconhecem

antes mesmo

de aprenderem

a pronunciar

o nome uma da outra.

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