Há palavras
que nunca aprendemos a dizer.
Não porque faltem.
Mas porque o coração
escolhe outro idioma.
Um idioma
feito de olhares demorados,
de sorrisos discretos,
de mãos que se procuram
sem fazer perguntas.
Foi assim contigo.
Sem alarde.
Sem promessas impossíveis.
Apenas um dia
que, sem avisar,
começou a ter o teu nome
escrito em todos os meus pensamentos.
Desde então,
o mundo parece mais leve.
As manhãs
ganharam outra luz.
As noites
deixaram de ser apenas silêncio.
E até o vento
parece conhecer
o caminho
que me leva até ti.
Há quem diga
que o amor
precisa de grandes gestos.
Eu acredito
que ele vive
nas pequenas coisas.
Na vontade
de saber se já sorriste hoje.
Na preocupação
que aparece
antes mesmo de a pedires.
Na alegria serena
de imaginar
que estás bem.
Porque há pessoas
que entram na nossa vida
como uma canção.
Sem pedir licença.
E acabam por ficar
a tocar baixinho,
mesmo quando tudo
à nossa volta
fica em silêncio.
Se algum dia
os nossos caminhos
se perderem por instantes,
não procures
as pegadas.
Procura o coração.
Ele sabe sempre
onde regressar.
Porque há sentimentos
que não precisam
de ser explicados.
Basta vivê-los.
E, desde que chegaste,
descobri
que algumas almas
se reconhecem
antes mesmo
de aprenderem
a pronunciar
o nome uma da outra.

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