segunda-feira, agosto 24, 2026

A Distância do Desejo


Neste instante

em que a tua boca

é o horizonte do meu desejo,

e os teus beijos

a única fome que reconheço,

deixo o coração falar

sem medo do silêncio.

Amo-te

com a intensidade tranquila

de quem encontrou abrigo

num simples pensamento.

E juro,

mesmo quando a distância nos separa,

que há em mim um lugar

onde nunca deixarei

de te guardar.

Vivo inquieto.

Procuro-te no escuro,

na música baixa da noite,

no perfume que a memória inventa

quando fecho os olhos.

Sei que existes.

Sinto-te respirar

do outro lado do mundo,

mas as minhas mãos

ainda não aprenderam

o caminho até ti.

És bela nos pensamentos

que me visitam sem aviso,

nos sonhos que se demoram,

na luz discreta

que deixaste dentro de mim.

E, embora estejas longe,

há noites em que a tua presença

é tão nítida

que o quarto inteiro parece

inclinar-se na tua direção.

Imagino o instante

em que os nossos lábios se encontrem,

devagar,

como quem saboreia um segredo antigo.

Imagino o calor da tua pele,

o arrepio breve do primeiro toque,

a ternura escondida

dentro do desejo.

Porque o que sinto por ti

não é apenas sede do corpo.

É vontade de permanecer,

de te ouvir respirar ao meu lado,

de transformar um abraço

num lugar onde o tempo adormeça.

E enquanto não te alcanço,

continuo a amar-te assim:

com a distância a doer,

com o desejo a incendiar o silêncio,

e com a certeza doce

de que algumas almas

se tocam primeiro no coração

antes de se encontrarem na pele.

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