Neste instante
em que a tua boca
é o horizonte do meu desejo,
e os teus beijos
a única fome que reconheço,
deixo o coração falar
sem medo do silêncio.
Amo-te
com a intensidade tranquila
de quem encontrou abrigo
num simples pensamento.
E juro,
mesmo quando a distância nos separa,
que há em mim um lugar
onde nunca deixarei
de te guardar.
Vivo inquieto.
Procuro-te no escuro,
na música baixa da noite,
no perfume que a memória inventa
quando fecho os olhos.
Sei que existes.
Sinto-te respirar
do outro lado do mundo,
mas as minhas mãos
ainda não aprenderam
o caminho até ti.
És bela nos pensamentos
que me visitam sem aviso,
nos sonhos que se demoram,
na luz discreta
que deixaste dentro de mim.
E, embora estejas longe,
há noites em que a tua presença
é tão nítida
que o quarto inteiro parece
inclinar-se na tua direção.
Imagino o instante
em que os nossos lábios se encontrem,
devagar,
como quem saboreia um segredo antigo.
Imagino o calor da tua pele,
o arrepio breve do primeiro toque,
a ternura escondida
dentro do desejo.
Porque o que sinto por ti
não é apenas sede do corpo.
É vontade de permanecer,
de te ouvir respirar ao meu lado,
de transformar um abraço
num lugar onde o tempo adormeça.
E enquanto não te alcanço,
continuo a amar-te assim:
com a distância a doer,
com o desejo a incendiar o silêncio,
e com a certeza doce
de que algumas almas
se tocam primeiro no coração
antes de se encontrarem na pele.

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