Não quero apagar
as páginas
que existiram antes de nós.
Cada uma delas
ajudou a escrever
a pessoa
que hoje tenho diante de mim.
Houve quem te ensinasse
a desconfiar.
Quem te fizesse rir.
Quem te deixasse
alguma cicatriz
que ainda hoje
o tempo acaricia devagar.
E houve também
quem passasse
sem perceber
o tesouro
que tinha ao alcance das mãos.
Eu não luto
contra fantasmas.
Nem disputo
memórias
que pertencem
a outra estação da vida.
Prefiro construir
um presente
tão verdadeiro
que o passado
deixe de fazer perguntas.
Não quero ser
o melhor
de todos os que conheceste.
Quero apenas
ser aquele
que te faz sentir
que já não precisas
de procurar.
Aquele
com quem o silêncio
não pesa.
Com quem as manhãs
têm vontade
de começar mais cedo,
e as despedidas
parecem sempre
demasiado rápidas.
Porque o amor
não vence
por comparação.
Vence
pela paz
que deixa
dentro de nós.
Se um dia
olhares para trás,
espero que não seja
para medir
quem esteve antes.
Mas para sorrires,
percebendo
que cada caminho,
mesmo os mais difíceis,
te trouxe exatamente
ao lugar
onde o teu coração
aprendeu,
finalmente,
a descansar.

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