Passei tanto tempo
a construir pontes,
a levantar muralhas,
a calcular distâncias,
como se a vida
pudesse ser desenhada
com a precisão
de um mapa.
Depois chegaste.
E todos os planos
deixaram de fazer sentido.
Descobri
que o coração
não conhece fórmulas.
Não mede sentimentos.
Não segue linhas retas.
Gosta de caminhos
que se inventam
a cada passo.
Sei erguer paredes.
Mas contigo
aprendi o valor
das janelas.
Aquelas
por onde entra a luz
sem pedir licença,
e onde o vento
traz o perfume
de um novo começo.
Sei desenhar estruturas.
Mas és tu
quem lhes dá vida.
És o detalhe
que transforma
uma simples casa
num lugar
onde apetece ficar.
És a varanda
de onde se vê
o futuro
com mais esperança.
És a porta
que nunca tive vontade
de fechar.
E, quando a noite chega,
percebo que os maiores projetos
não se constroem
com cimento
nem com aço.
Constroem-se
com confiança,
com paciência,
com pequenos gestos
repetidos todos os dias,
até que dois corações
deixam de ser
dois mundos separados
e passam a partilhar
o mesmo horizonte.
Se algum dia
me perguntarem
qual foi a obra
mais bonita
que a vida me permitiu criar,
não mostrarei edifícios.
Falarei de ti.
Porque foste tu
quem desenhou,
sem régua,
sem esquadro
e sem plantas,
o lugar mais bonito
onde alguma vez
o meu coração
aprendeu a viver.

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