sábado, agosto 22, 2026

Arquitetura do Coração


Passei tanto tempo

a construir pontes,

a levantar muralhas,

a calcular distâncias,

como se a vida

pudesse ser desenhada

com a precisão

de um mapa.

Depois chegaste.

E todos os planos

deixaram de fazer sentido.

Descobri

que o coração

não conhece fórmulas.

Não mede sentimentos.

Não segue linhas retas.

Gosta de caminhos

que se inventam

a cada passo.

Sei erguer paredes.

Mas contigo

aprendi o valor

das janelas.

Aquelas

por onde entra a luz

sem pedir licença,

e onde o vento

traz o perfume

de um novo começo.

Sei desenhar estruturas.

Mas és tu

quem lhes dá vida.

És o detalhe

que transforma

uma simples casa

num lugar

onde apetece ficar.

És a varanda

de onde se vê

o futuro

com mais esperança.

És a porta

que nunca tive vontade

de fechar.

E, quando a noite chega,

percebo que os maiores projetos

não se constroem

com cimento

nem com aço.

Constroem-se

com confiança,

com paciência,

com pequenos gestos

repetidos todos os dias,

até que dois corações

deixam de ser

dois mundos separados

e passam a partilhar

o mesmo horizonte.

Se algum dia

me perguntarem

qual foi a obra

mais bonita

que a vida me permitiu criar,

não mostrarei edifícios.

Falarei de ti.

Porque foste tu

quem desenhou,

sem régua,

sem esquadro

e sem plantas,

o lugar mais bonito

onde alguma vez

o meu coração

aprendeu a viver.

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