quinta-feira, agosto 13, 2026

O Lugar Que Procurei


Passei anos

a procurar um lugar

que tivesse o meu nome,

sem perceber

que nenhum caminho

me levaria até ele

enquanto continuasse

a fugir de mim.

Vesti expectativas

que não eram minhas.

Carreguei sonhos

que pertenciam a outras pessoas.

Aprendi a encaixar,

a agradar,

a sobreviver...

mas nunca,

verdadeiramente,

a viver.

Havia um vazio

que nem o tempo,

nem as vitórias,

nem o silêncio

conseguiam preencher.

Era como olhar o horizonte

e sentir

que a casa existia,

mas ainda não sabia

onde a encontrar.

Foi preciso perder-me

para começar

a reconhecer a minha própria voz.

Aceitar as falhas

que sempre tentei esconder.

Abraçar as cicatrizes

que julgava serem defeitos,

quando, afinal,

eram apenas

a prova

de que nunca deixei

de lutar.

Hoje já não procuro

ser aquilo

que o mundo espera.

Procuro apenas

que cada passo

se pareça comigo.

Porque pertença

não é um lugar.

Nem uma cidade.

Nem o olhar

de quem nos aceita.

É o instante

em que deixamos

de pedir licença

para sermos quem somos.

E, quando esse dia chega,

o coração deixa de vaguear.

Sorri em silêncio,

respira sem medo

e percebe,

pela primeira vez,

que o destino

não era encontrar

um lugar qualquer.

Era encontrar,

finalmente,

o lugar

onde a alma

se reconhece.

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