Passei anos
a procurar um lugar
que tivesse o meu nome,
sem perceber
que nenhum caminho
me levaria até ele
enquanto continuasse
a fugir de mim.
Vesti expectativas
que não eram minhas.
Carreguei sonhos
que pertenciam a outras pessoas.
Aprendi a encaixar,
a agradar,
a sobreviver...
mas nunca,
verdadeiramente,
a viver.
Havia um vazio
que nem o tempo,
nem as vitórias,
nem o silêncio
conseguiam preencher.
Era como olhar o horizonte
e sentir
que a casa existia,
mas ainda não sabia
onde a encontrar.
Foi preciso perder-me
para começar
a reconhecer a minha própria voz.
Aceitar as falhas
que sempre tentei esconder.
Abraçar as cicatrizes
que julgava serem defeitos,
quando, afinal,
eram apenas
a prova
de que nunca deixei
de lutar.
Hoje já não procuro
ser aquilo
que o mundo espera.
Procuro apenas
que cada passo
se pareça comigo.
Porque pertença
não é um lugar.
Nem uma cidade.
Nem o olhar
de quem nos aceita.
É o instante
em que deixamos
de pedir licença
para sermos quem somos.
E, quando esse dia chega,
o coração deixa de vaguear.
Sorri em silêncio,
respira sem medo
e percebe,
pela primeira vez,
que o destino
não era encontrar
um lugar qualquer.
Era encontrar,
finalmente,
o lugar
onde a alma
se reconhece.

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