Nunca fomos feitos
de linhas direitas.
Trazemos tempestades,
medos antigos,
palavras que escapam
quando deviam permanecer em silêncio,
e silêncios
quando era o coração
que precisava de falar.
Às vezes,
o orgulho chega primeiro.
Outras,
é a insegurança
que nos convence
de que não somos suficientes.
Mas amar alguém
nunca foi encontrar
a perfeição.
Foi olhar para todas essas falhas
e, ainda assim,
escolher ficar.
Tu tens os teus receios.
Eu tenho os meus.
Tu escondes lágrimas
atrás de um sorriso.
Eu escondo saudades
atrás de uma aparente tranquilidade.
E, no entanto,
há qualquer coisa
que nos aproxima.
Talvez seja precisamente
o facto de sermos
tão imperfeitamente humanos.
Não quero uma história
onde nunca existam desacordos.
Quero uma história
onde nenhum deles
seja maior
do que a vontade
de nos voltarmos a encontrar.
Porque o amor
não se mede
pela ausência de falhas.
Mede-se
pela coragem
de as enfrentar
de mãos dadas.
Se algum dia
eu me perder de mim,
lembra-me
quem sou.
E, se fores tu
a deixar de acreditar
na tua própria luz,
deixa-me estar ao teu lado
até voltares a vê-la.
Porque, no fim,
não somos duas pessoas
à procura da perfeição.
Somos dois corações
que aprenderam
que as maiores fragilidades
também podem ser
o lugar
onde nasce
a mais bonita forma
de confiança.
E talvez seja isso
que torna tudo tão verdadeiro:
sabermos que somos imperfeitos,
mas continuarmos,
todos os dias,
a escolher um ao outro.

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