Não precisas
de esconder o sorriso
quando os nossos olhares
se encontram.
Nem de fingir
que o coração
permanece tranquilo,
quando ele próprio
já começou
a escrever outra história.
Não tenhas medo.
Ninguém é mais forte
por fugir de
àquilo que sente.
Há uma coragem
muito maior
em deixar
que o coração
respire livremente.
Sei que o passado
ensina prudência.
Que existem promessas
que não foram cumpridas,
silêncios
que ainda fazem eco,
e cicatrizes
que o tempo
ainda acaricia.
Mas nem todas as histórias
terminam da mesma forma.
Há encontros
que chegam
para devolver
a confiança.
Para mostrar
que um abraço
também pode ser
um lugar seguro.
Não te peço
que acredites
em palavras bonitas.
Olha antes
para os gestos.
São eles
que permanecem
quando as frases
já foram esquecidas.
Se algum dia
duvidares
do caminho,
aproxima-te.
Escuta apenas
o que o teu coração
te sussurra
quando o mundo
fica em silêncio.
Talvez descubras
que a felicidade
não faz barulho.
Chega devagar,
senta-se ao nosso lado,
segura-nos a mão
e espera,
pacientemente,
que deixemos
de ter medo
de a viver.
Porque há sentimentos
que não pedem licença.
Apenas entram,
iluminam os dias
e fazem-nos perceber
que algumas pessoas
não aparecem
para mudar quem somos.
Aparecem
para nos lembrar
de quem sempre fomos
quando acreditávamos
que tudo ainda era possível.
E, nesse instante,
o coração sorri,
como quem finalmente percebe
que nunca foi um risco
abrir-se de novo.
Foi sempre
a mais bonita forma
de voltar a viver.
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