Há encontros
que acontecem
antes do primeiro toque.
Começam num olhar,
crescem num sorriso,
e acabam por viver
num lugar
onde as palavras
já não conseguem entrar.
É estranho...
Penso em ti
e, sem saberes,
parece que respondes.
Como se existisse
um fio invisível
a unir os nossos silêncios.
Quando te aproximas,
o ar muda.
O tempo abranda.
E a distância
deixa de ser medida
em passos,
mas na vontade
de sentir
a tua respiração
cada vez mais perto.
Não há pressa.
O desejo
também sabe esperar.
Gosta de passear
pela pele
como uma brisa morna,
de prolongar
o instante
antes do beijo,
como se esse breve segundo
guardasse
todos os segredos
do universo.
As tuas mãos
não procuram respostas.
Procuram apenas
o caminho
que o meu coração
já conhecia.
E, quando finalmente
me encontras,
descubro
que a maior intimidade
não nasce
do corpo.
Nasce daquela ligação
tão profunda
que parece impossível
explicar.
Como se duas almas
aprendessem,
ao mesmo tempo,
a mesma linguagem.
E, nesse instante,
já não sei
se és tu
quem vive nos meus pensamentos,
ou se sou eu
que passei a habitar
os teus.

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