Há encontros
que não pedem explicações.
Acontecem
como a chuva de verão,
inesperados,
quentes,
impossíveis de ignorar.
Tu aproximas-te
e o mundo
perde o hábito
de fazer barulho.
Fica apenas
o som da tua respiração
a desenhar
o compasso
do meu coração.
Há qualquer coisa
na forma como me olhas
que desfaz
as distâncias.
Como se os teus olhos
já conhecessem
todos os lugares
onde as minhas mãos
ainda sonham chegar.
O teu sorriso
tem a ousadia
de quem sabe
que o desejo
não precisa de palavras.
Basta um instante.
Um toque demorado.
Um arrepio
que percorre a pele
como se o tempo
tivesse aprendido
a caminhar devagar.
E, quando os nossos corpos
se encontram,
não há pressa.
Há apenas
essa vontade serena
de descobrir
cada silêncio,
cada suspiro,
cada pedaço de ti
que o mundo
nunca chegou a conhecer.
Porque o verdadeiro encanto
não vive
na intensidade do momento.
Vive na cumplicidade
que nasce
quando dois corações
falam a mesma língua,
e dois corpos
se aproximam
como se sempre
tivessem pertencido
ao mesmo abraço.
Então compreendo
que o desejo
também pode ser delicado.
Que a paixão
não precisa de incendiar
para aquecer.
Às vezes,
basta um olhar,
um beijo demorado,
e a certeza
de que, nos teus braços,
até o silêncio
tem o sabor
de um sentimento
que nasceu
naturalmente.

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