quarta-feira, agosto 05, 2026

Na Linguagem da Pele


Há encontros

que não pedem explicações.

Acontecem

como a chuva de verão,

inesperados,

quentes,

impossíveis de ignorar.

Tu aproximas-te

e o mundo

perde o hábito

de fazer barulho.

Fica apenas

o som da tua respiração

a desenhar

o compasso

do meu coração.

Há qualquer coisa

na forma como me olhas

que desfaz

as distâncias.

Como se os teus olhos

já conhecessem

todos os lugares

onde as minhas mãos

ainda sonham chegar.

O teu sorriso

tem a ousadia

de quem sabe

que o desejo

não precisa de palavras.

Basta um instante.

Um toque demorado.

Um arrepio

que percorre a pele

como se o tempo

tivesse aprendido

a caminhar devagar.

E, quando os nossos corpos

se encontram,

não há pressa.

Há apenas

essa vontade serena

de descobrir

cada silêncio,

cada suspiro,

cada pedaço de ti

que o mundo

nunca chegou a conhecer.

Porque o verdadeiro encanto

não vive

na intensidade do momento.

Vive na cumplicidade

que nasce

quando dois corações

falam a mesma língua,

e dois corpos

se aproximam

como se sempre

tivessem pertencido

ao mesmo abraço.

Então compreendo

que o desejo

também pode ser delicado.

Que a paixão

não precisa de incendiar

para aquecer.

Às vezes,

basta um olhar,

um beijo demorado,

e a certeza

de que, nos teus braços,

até o silêncio

tem o sabor

de um sentimento

que nasceu

naturalmente.

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