sábado, agosto 08, 2026

As Sombras Que Habitam em Mim


Há dias

em que o espelho

me devolve um estranho.

Alguém

que conhece o meu nome,

mas já não reconhece

a paz que um dia habitou

o seu olhar.

Dentro de mim

vivem vozes antigas.

Feitas de medo.

De culpa.

De dúvidas

que regressam

quando a noite

fica demasiado silenciosa.

Tentei fugir.

Corri para longe

de tudo aquilo

que me fazia estremecer.

Mas descobri

que não existe distância

capaz de separar

um homem

das sombras

que transporta no peito.

Elas seguem-nos.

Escondem-se

entre os pensamentos.

Vestem-se

com as nossas inseguranças.

E convencem-nos

de que nunca seremos

suficientes.

Durante muito tempo

acreditei nelas.

Até perceber

que o medo

não desaparece

quando o combatemos.

Enfraquece

quando deixamos

de lhe obedecer.

Foi então

que parei de lutar

contra mim próprio.

Olhei de frente

para as minhas cicatrizes,

aceitei as minhas falhas

e compreendi

que nenhuma delas

definia quem eu era.

Porque aquilo

que realmente nos transforma

não é a ausência

da escuridão.

É a coragem

de acender uma luz

mesmo quando tudo

parece perdido.

Hoje sei

que ainda existem dias

em que volto a cair.

Em que as velhas vozes

tentam recuperar

o lugar que tinham.

Mas já não lhes pertenço.

Aprendi

que a verdadeira liberdade

não nasce

quando deixamos

de sentir medo.

Nasce

quando o coração

escolhe continuar,

mesmo com ele.

E é nesse instante,

entre a sombra

e a esperança,

que descubro,

uma vez mais,

quem realmente sou.

Sem comentários: