Fechas a porta,
e o mundo
fica do lado de fora.
Aqui,
o tempo perde a pressa.
A noite
aprende a respirar
ao ritmo dos nossos olhares.
A luz desenha
sombras suaves
na tua pele,
como se cada reflexo
quisesse guardar
o segredo
da tua beleza.
Aproximo-me devagar.
Não para quebrar o silêncio,
mas para o ouvir.
Porque há silêncios
que dizem mais
do que qualquer palavra
alguma vez conseguiria.
Os teus dedos
procuram os meus,
e esse gesto simples
tem a intensidade
de uma promessa
que não precisa
de ser pronunciada.
Há um sorriso.
Um arrepio.
Uma distância tão pequena
que o coração
já não distingue
onde termina
a tua respiração
e começa a minha.
O desejo
não corre.
Passeia.
Demora-se
na delicadeza
de um toque,
na ternura
de um beijo prolongado,
na cumplicidade
de quem se descobre
sem medo
de ser visto.
E, naquele instante,
o quarto deixa de ter paredes.
Transforma-se
num universo inteiro
feito de pele,
de sorrisos,
de olhares demorados
e da estranha magia
de dois corações
que se reconhecem
antes mesmo
de os lábios
voltarem a encontrar-se.
Porque há noites
que não se recordam
pela intensidade.
Recordam-se
pela forma serena
como nos ensinam
que a maior proximidade
começa muito antes
do primeiro beijo.

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