sábado, agosto 15, 2026

No Quarto Onde o Tempo Espera


Fechas a porta,

e o mundo

fica do lado de fora.

Aqui,

o tempo perde a pressa.

A noite

aprende a respirar

ao ritmo dos nossos olhares.

A luz desenha

sombras suaves

na tua pele,

como se cada reflexo

quisesse guardar

o segredo

da tua beleza.

Aproximo-me devagar.

Não para quebrar o silêncio,

mas para o ouvir.

Porque há silêncios

que dizem mais

do que qualquer palavra

alguma vez conseguiria.

Os teus dedos

procuram os meus,

e esse gesto simples

tem a intensidade

de uma promessa

que não precisa

de ser pronunciada.

Há um sorriso.

Um arrepio.

Uma distância tão pequena

que o coração

já não distingue

onde termina

a tua respiração

e começa a minha.

O desejo

não corre.

Passeia.

Demora-se

na delicadeza

de um toque,

na ternura

de um beijo prolongado,

na cumplicidade

de quem se descobre

sem medo

de ser visto.

E, naquele instante,

o quarto deixa de ter paredes.

Transforma-se

num universo inteiro

feito de pele,

de sorrisos,

de olhares demorados

e da estranha magia

de dois corações

que se reconhecem

antes mesmo

de os lábios

voltarem a encontrar-se.

Porque há noites

que não se recordam

pela intensidade.

Recordam-se

pela forma serena

como nos ensinam

que a maior proximidade

começa muito antes

do primeiro beijo.

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