Há perguntas
que ficam para sempre
sem encontrar resposta.
Há ausências
que não se explicam
com palavras,
porque existem despedidas
que deixam no coração
um silêncio impossível de preencher.
Às vezes penso
no que diria
se pudesse falar contigo
mais uma vez.
Talvez não encontrasse
as palavras certas.
Talvez apenas te abraçasse
e ficasse em silêncio,
porque há sentimentos
que nenhuma frase
consegue carregar.
Pergunto-me
se me reconhecerias,
se saberias
quanto pensei em ti,
quantas vezes
o teu nome atravessou
os meus pensamentos
sem que ninguém percebesse.
A vida continuou.
Os dias passaram.
As pessoas sorriram,
os relógios não pararam,
e o mundo pareceu esquecer
que, algures dentro de mim,
ficou um lugar
onde o tempo nunca avançou.
Aprendi a viver
com a saudade.
Não porque tenha deixado
de doer,
mas porque percebi
que amar alguém
também pode significar
carregar a sua ausência
com ternura.
Há momentos
em que olho para o céu
e imagino que existe
alguma forma de distância
onde ainda nos podemos encontrar.
Talvez num sonho.
Talvez numa memória.
Talvez naquele instante
em que o coração aperta
sem razão aparente
e, por um segundo,
parece que estás perto.
Se pudesses ouvir-me,
dir-te-ia que não esqueci.
Que algumas pessoas
não desaparecem verdadeiramente.
Mudam de lugar.
Deixam de estar
ao nosso lado
e passam a viver
dentro de nós.
Nas pequenas coisas.
Num sorriso.
Numa música.
Num céu ao entardecer.
Num momento inesperado
em que a saudade
chega sem avisar.
E talvez seja essa
a única maneira
de continuar a amar
quem já não podemos abraçar:
guardar a sua existência
naquilo que somos.
Hoje sigo em frente,
mas não te deixo para trás.
Levo comigo
aquilo que me ensinaste,
aquilo que senti,
aquilo que nunca conseguirei explicar
completamente.
E quando a saudade
se torna demasiado pesada,
fecho os olhos
e imagino que, algures,
onde não existem distâncias
nem despedidas,
o nosso reencontro
já aconteceu.
Até lá,
continuarei a viver.
A sorrir quando conseguir.
A amar.
A guardar-te
no lugar mais silencioso
do meu coração.
Porque há pessoas
que partem demasiado cedo,
mas deixam uma luz
que o tempo não consegue apagar.
E enquanto essa luz
continuar dentro de mim,
uma parte de ti
continuará a caminhar comigo,
mesmo que os meus olhos
já não te possam encontrar.






