sábado, setembro 12, 2026

Enquanto a Luz Não Volta


Há dias em que acordo
e sinto que o mundo
pesa mais do que devia.

Sorrio,

respondo que estou bem,

continuo a fazer
aquilo que esperam de mim,

mas há uma parte de mim
que só queria parar
por um instante
e respirar.

Aprendi a esconder o cansaço
atrás de palavras tranquilas.

A dizer “não é nada”
quando, por dentro,
há demasiado a acontecer.

Talvez porque sempre pensei
que precisava de ser forte.

Que não podia mostrar
quando estava cansado,

quando tinha medo,

quando precisava simplesmente
de alguém que dissesse:

“Fica aqui.
Não tens de enfrentar tudo sozinho.”

Hoje começo a perceber
que também tenho direito
a não estar bem.

Tenho direito
a abrandar.

A fechar os olhos
e deixar o mundo esperar.

A aceitar que algumas feridas
não desaparecem
porque fingimos que não existem.

E, quando a vida me parece
demasiado pesada,

lembro-me de que já atravessei
noites que pareciam não ter fim.

Também pensei, algumas vezes,
que não conseguiria.

E, no entanto,

a manhã chegou.

Sempre chegou.

Talvez seja isso
que preciso de recordar
nos dias mais difíceis:

não tenho de resolver
a minha vida inteira hoje.

Só preciso
de chegar ao amanhã.

Um passo.

Uma respiração.

Mais uma manhã.

Mais uma oportunidade
de voltar a sentir
aquilo que agora parece distante.

E se alguém que amo
estiver a passar
por uma tempestade,

quero que saiba
que não precisa de esconder
a dor de mim.

Pode pousar o peso
dos seus ombros.

Pode chorar.

Pode ficar em silêncio.

Eu fico.

Porque sei o que é
precisar de alguém
e não saber como pedir.

E talvez cuidar
também seja isto:

não tentar apagar
a escuridão de quem amamos,

mas permanecer ao seu lado
até que os olhos
se habituem novamente
à luz.

Por isso,
se hoje não conseguires sorrir,

não faz mal.

Se precisares de tempo,

eu espero.

Se precisares de silêncio,

eu fico em silêncio contigo.

E se amanhã
for apenas um pouco melhor,

já será suficiente.

Porque acredito
que há dores
que passam devagar,

corações
que precisam de tempo,

e pessoas
que, mesmo cansadas,

ainda conseguem
voltar a florescer.

Eu também estou a aprender isso.

A cuidar de mim.

A não exigir
que o coração seja forte
todos os dias.

E, enquanto aprendo,

continuo.

Porque ainda há manhãs
que não conheço,

abraços que ainda vou dar,

sorrisos que ainda vou descobrir

e momentos felizes
que ainda não chegaram.

E eu quero estar aqui

quando chegarem.

sexta-feira, setembro 11, 2026

As Asas Que Escolhi


Há palavras
que ficam dentro de nós
muito depois de serem ditas.

Frases que se tornam paredes,
olhares que se transformam em espelhos,
e expectativas
que nos ensinam a duvidar
daquilo que realmente somos.

Durante demasiado tempo,
tentei ser alguém
que pudesse merecer aprovação.

Procurei respostas
em vozes que nunca compreenderam
as minhas batalhas.

E cada vez que falhava,
sentia que me afastava
mais de mim próprio.

Até perceber
que não nasci
para representar
a história que outros escreveram.

Não sou os erros
que cometeram comigo.

Não sou as palavras
que me fizeram acreditar
que não era suficiente.

Não sou o passado
que tentaram colocar
sobre os meus ombros.

Sou aquilo que escolho fazer
com tudo o que vivi.

Posso carregar cicatrizes
sem permitir que elas
me definam.

Posso lembrar a dor
sem continuar a viver dentro dela.

Posso perdoar
sem voltar a aceitar
aquilo que me destruiu.

E talvez crescer
seja precisamente isto:

ter coragem
de quebrar o silêncio,

de olhar para trás
sem medo,

e dizer:

“Eu não continuarei
a repetir aquilo
que um dia me magoou.”

Porque há heranças
que não precisamos de aceitar.

Há ciclos
que nasceram antes de nós
e que podem terminar
connosco.

E existe uma liberdade
que começa
quando deixamos de procurar
a aprovação de quem nunca soube
ver o nosso verdadeiro valor.

Hoje escolho
ser dono da minha voz.

Escolho construir
uma vida que me pertença.

Não para provar
que alguém estava errado,

mas para finalmente provar a mim mesmo
que sou capaz
de ser diferente.

E se algum dia
alguém olhar para a minha história
e perguntar quem me tornei,

não quero que a resposta
seja encontrada
nas sombras do passado.

Quero que esteja
na pessoa que aprendeu
a amar sem medo,

a perdoar sem se perder,

a levantar-se sem vergonha

e a caminhar pela vida
sem carregar
o peso de ser aquilo
que nunca quis ser.

Porque o passado
pode explicar as minhas raízes,

mas nunca terá o direito
de decidir

até onde

as minhas asas

podem voar.

quinta-feira, setembro 10, 2026

Já Não Quero Ser Quem Esperavam

Durante demasiado tempo
tentei caber
na imagem que criaram de mim.

Aprendi a sorrir
quando queria gritar,
a concordar
quando tudo dentro de mim
pedia para dizer não.

Fui-me tornando
aquilo que esperavam,

até quase esquecer
quem eu era
antes de começar
a tentar agradar.

Cada expectativa
era mais um peso.

Cada comparação,
mais uma dúvida.

E, pouco a pouco,
comecei a olhar para mim
como se nunca fosse suficiente.

Mas ninguém consegue
viver eternamente
contra a própria essência.

Há um momento
em que o coração se cansa
de fingir.

Um instante
em que todas as vozes exteriores
perdem força
e conseguimos finalmente
ouvir a nossa.

Foi nesse silêncio
que me encontrei.

Não sou perfeito.

Nunca fui.

Tenho medos,
tenho falhas,
tenho cicatrizes
que ainda doem
quando certas memórias regressam.

Mas sou eu.

E, pela primeira vez,
isso basta.

Já não quero viver
para corresponder
ao sonho de outra pessoa.

Não quero vestir
uma versão de mim
que não reconheço
quando me olho ao espelho.

Quero errar
sem sentir vergonha.

Quero sentir
sem pedir desculpa.

Quero amar
sem esconder o coração.

Quero ser inteiro,
mesmo que a minha verdade
tenha imperfeições.

Porque talvez crescer
seja precisamente isto:

deixar de tentar
ser aquilo que esperam de nós
e começar a descobrir
aquilo que realmente somos.

E se alguém não compreender,

que compreenda o tempo.

Eu já passei demasiado tempo
a abandonar-me
para que os outros
pudessem sentir-se confortáveis.

Agora escolho ficar.

Ficar comigo.

Com a minha verdade.

Com tudo aquilo
que durante tanto tempo
tentei esconder.

E, finalmente,
voltar a sentir
não como alguém
que precisa de ser aceite,

mas como alguém
que aprendeu

que não precisa
de deixar de ser quem é

para merecer

ser amado.

quarta-feira, setembro 09, 2026

Onde Quer Que Eu Vá

Posso mudar de cidade,
atravessar mares, perder-me em novos lugares,
mas há sentimentos que não conhecem distância
nem sabem deixar de nos acompanhar.

Posso seguir por caminhos diferentes,
descobrir horizontes que nunca imaginei,
mas há sempre uma parte de mim
que permanece onde um dia fui feliz.

Porque podemos fugir do passado,
mudar de sonhos, recomeçar,
mas aquilo que realmente nos toca
encontra sempre uma forma de ficar.

E talvez seja essa a estranha beleza da vida:
não importa para onde vamos,
há memórias que caminham conosco
e pessoas que permanecem
mesmo quando já não estão ao nosso lado.

Onde quer que eu vá,
levarei comigo aquilo que senti,
os momentos que me fizeram sorrir,
as marcas que me ensinaram a crescer
e tudo aquilo que, um dia,
fez o meu coração acreditar.

Porque há lugares que deixamos para trás,
mas nunca conseguimos abandonar completamente.
E há pessoas que, mesmo longe,
continuam a viver dentro de nós.

terça-feira, setembro 08, 2026

Antes do Último Adeus


Se ficares mais um pouco,

talvez o silêncio
consiga dizer-te
aquilo que as minhas palavras
nunca souberam explicar.

Não te peço promessas.

Nem juras
que o tempo possa quebrar.

Peço apenas
que não vás agora,

quando ainda existem
tantas coisas bonitas
por viver entre nós.

Há despedidas
que acontecem demasiado cedo.

E há sentimentos
que só percebemos
quando sentimos
a distância a chegar.

Se partires,

levas contigo
uma parte dos meus dias,

os pequenos momentos,

os sorrisos inesperados,

as noites em que o teu nome
era a última coisa
em que eu pensava
antes de adormecer.

E eu ficarei aqui,

a tentar convencer o coração
de que algumas histórias
simplesmente precisam de terminar.

Mas como explicar ao coração
que deve esquecer
aquilo que ainda ama?

Como pedir à memória
que apague um olhar
que ainda ilumina
os meus pensamentos?

Talvez o amor
não seja apenas
saber ficar.

Talvez seja também
ter coragem
para reconhecer
quando alguém se tornou
demasiado importante
para ser deixado para trás.

Por isso,

se ainda houver
um pequeno espaço
entre a despedida
e o último adeus,

fica.

Fica mais um instante.

Deixa-me segurar a tua mão
sem pensar no amanhã.

Deixa-me guardar
o som da tua voz,

o calor do teu abraço,

a paz que existe
quando estamos juntos.

Porque, se tiver de te perder,

quero pelo menos
ter a certeza
de que amámos
tudo aquilo que podíamos.

E se houver uma escolha
entre partir
e tentar mais uma vez,

escolhe ficar.

Não por medo da solidão.

Não por obrigação.

Mas porque, algures
entre dois corações
que se encontraram,

ainda existe
um sentimento
que merece
mais uma oportunidade.

E, se ficares,

prometo não pedir
que o futuro seja perfeito.

Quero apenas
que seja nosso.

Um dia de cada vez.

Um abraço de cada vez.

Um pouco mais de nós
antes que o mundo
nos diga
que é hora de partir.

Porque há pessoas
que passam pela nossa vida.

E há pessoas
que, mesmo quando vão embora,

continuam a viver
num lugar tão profundo
dentro de nós

que nunca chegam
verdadeiramente
a partir.

segunda-feira, setembro 07, 2026

Quando as Estrelas Acordam

Há noites em que o céu parece
guardar segredos só para nós,
e pequenas luzes dançam no escuro
como sonhos à procura de uma voz.

Talvez a noite seja um lugar
onde tudo pode acontecer,
onde os pensamentos ganham asas
e a imaginação aprende a viver.

Há sonhos que chegam sem aviso,
misturam-se com a realidade,
e deixam no peito uma estranha certeza
de que ainda existe magia na cidade.

Quando o mundo adormecer,
quero ficar acordado a sonhar,
a contar as luzes no céu
e a imaginar onde poderão chegar.

Porque talvez a vida seja isso:
pequenos instantes de encantamento,
luzes que brilham por pouco tempo,
mas permanecem para sempre
dentro do nosso pensamento.

domingo, setembro 06, 2026

Corre Sem Olhar Para Trás

Há momentos em que a vida chama
e pede coragem para começar,
deixar para trás o que nos prende
e seguir sem saber onde vamos chegar.

Corre, mesmo que tenhas medo,
mesmo que o caminho pareça incerto.
Às vezes, é preciso perder o rumo
para descobrir o lugar certo.

Não deixes que as dúvidas te parem,
nem que o passado escolha por ti.
Há sonhos à espera de serem vividos
e horizontes que ainda não viste surgir.

Corre atrás daquilo que te faz sentir,
daquilo que te devolve a vontade de viver.
Porque o tempo não espera por ninguém
e há momentos que não voltam a acontecer.

E se o mundo parecer demasiado grande,
lembra-te de que também podes voar.
Basta dar o primeiro passo,
abrir o coração
e deixar a vida te levar.

Corre sem olhar para trás,
não porque não tenhas medo,
mas porque descobriste finalmente
que há sonhos que valem
qualquer salto no desconhecido.