sábado, outubro 31, 2026


Desde que não estás aqui,
a casa continua de pé,
os relógios não perderam o ritmo
e as ruas não deixaram de existir.

Mas há qualquer coisa
que já não funciona como antes.

É como se alguém tivesse retirado
uma janela de dentro de mim
e, desde então,
até os dias de sol
me chegassem sem claridade.

Não sei explicar a tua ausência
sem falar daquilo que ela mudou em mim.

Há músicas que já não ouço da mesma maneira,
lugares que perderam o significado
e frases que me nascem nos lábios
mas acabam por morrer
porque não estás aqui para as receber.

Guardo conversas que ainda não tivemos,
imagino respostas para perguntas
que nunca cheguei a fazer
e dou por mim a reservar-te espaço
em momentos onde só existe silêncio.

É absurdo, eu sei.

Continuo a encontrar-te
em coisas onde não estás.

No reflexo de uma tarde bonita,
no cheiro que fica depois da chuva,
numa gargalhada que não é tua
mas que, por um segundo,
me faz virar a cabeça.

E talvez seja isto que mais custa:
o mundo está cheio de coisas bonitas,
mas perdi a vontade de algumas delas
porque já não tenho contigo
com quem as partilhar.

Não quero que sejas o sol
à volta do qual a minha vida gira.

Quero ter os meus próprios amanheceres,
voltar a reconhecer-me,
encontrar beleza nos dias
sem precisar de procurar o teu rosto
em cada horizonte.

Mas seria mentira dizer
que a tua ausência não me escurece.

Escurece.

Há uma espécie de inverno
que se instalou em certos lugares de mim
e que nenhuma estação consegue levar.

Às vezes, tento acender a luz,
mas descubro que não é o interruptor
que está no sítio errado.

É a falta daquilo
que tornava tudo mais luminoso.

E então percebo
que não sinto apenas saudades tuas.

Tenho saudades da versão de mim
que aparecia quando estavas perto.
Da espontaneidade que me devolvias,
da paz que não precisava de explicações,
da facilidade com que o coração
se esquecia de estar em guarda.

Perdi a minha luz
porque ela não está aqui.

Não sei se a perdi de verdade
ou se uma parte dela
aprendeu a esconder-se
no mesmo lugar onde guardo o teu nome.

Sei apenas que continuo a procurá-la.

Não para voltar a ser exatamente quem era,
mas porque ainda quero acreditar
que posso voltar a sentir
sem que a distância me roube a cor dos dias.

E, se um dia regressares,
não quero que encontres alguém
que ficou parado à tua espera.

Quero que encontres alguém
que atravessou a escuridão,
que aprendeu a cuidar das próprias sombras,
mas que nunca deixou de reconhecer
a beleza da luz que um dia lhe deste.

Até lá,
vou tentando amanhecer.

Mesmo quando o céu não ajuda.
Mesmo quando a noite demora.
Mesmo quando tudo o que me apetece
é fechar os olhos
e imaginar que ainda estás aqui.

Porque há ausências
que não fazem barulho quando chegam.

Limitam-se a apagar, devagar,
as pequenas luzes da nossa vida.

E a tua...

A tua ainda faz falta
em todos os lugares
onde costumava haver um pouco de mim.

sexta-feira, outubro 09, 2026

Aprender a Ser Feliz


Durante muito tempo,
pensei que ser feliz
era finalmente ter aquilo
que sempre procurei.

Uma pessoa certa.
Um lugar certo.
Uma vida sem sobressaltos.
Um amanhã que não trouxesse
novas razões para ter medo.

Hoje sei que estava enganado.

A felicidade não chegou
quando tudo ficou bem.
Chegou devagar,
nos pequenos momentos
em que percebi
que já não precisava
que tudo estivesse bem
para conseguir sorrir.

Aprendi a gostar
dos dias imperfeitos,
das manhãs em que acordo
sem saber o que me espera,
das conversas que me fazem rir
quando julgava não ter vontade
de falar com ninguém.

Aprendi também
que não preciso de fingir
que estou sempre feliz.

Há dias em que dói.
Há dias em que sinto falta,
em que o passado bate à porta
e me lembra aquilo
que não consegui salvar.

E está tudo bem.

Não quero mais transformar
a minha tristeza
numa culpa.

Nem convencer-me
de que só mereço ser feliz
quando deixar de sentir dor.

Quero aceitar-me inteiro.

Com as minhas dúvidas,
as minhas cicatrizes,
os meus erros,
as coisas que ainda não consegui resolver
e todas aquelas partes de mim
que ainda estou a aprender a amar.

Talvez ser feliz
seja isto:

deixar de esperar
que alguém venha salvar-me
da minha própria vida.

É escolher ficar,
mesmo depois de tantas quedas.

É voltar a olhar para o espelho
e não procurar apenas
aquilo que falta.

É reconhecer
tudo aquilo que ainda existe.

E existe tanto.

Ainda tenho sonhos.
Ainda tenho vontade de amar.
Ainda tenho caminhos por descobrir.
Ainda tenho noites que podem terminar
num sorriso inesperado.

Ainda tenho eu.

E talvez tenha sido isso
que demorei mais tempo a perceber:

não preciso de uma vida perfeita
para ser feliz.

Preciso apenas
de não abandonar a minha própria vida
enquanto espero que ela
se torne aquilo que desejo.

Hoje não prometo
ser feliz todos os dias.

Prometo apenas
não desistir de procurar
aqueles pequenos instantes
em que a felicidade me encontra.

E quando ela chegar,
mesmo que dure pouco,
eu vou parar.

Vou respirar.

Vou olhar à minha volta.

E, pela primeira vez,
em vez de perguntar
se isto é suficiente,

vou simplesmente dizer:

sim.

Hoje, isto chega.

Hoje, eu estou aqui.

E talvez, finalmente,
esteja a aprender
a ser feliz.

quinta-feira, outubro 08, 2026

Arriscar Outra Vez


Há momentos em que a vida
me coloca diante de uma porta
sem dizer o que existe do outro lado.
E eu fico ali,
com a mão suspensa,
a pensar em tudo o que pode correr mal.

Aprendi a desconfiar do impulso,
a medir cada passo,
a imaginar o fim
antes sequer de começar.
Talvez porque já perdi demasiado
por acreditar em coisas
que pareciam certas.

Mas há qualquer coisa em mim
que ainda não aprendeu a desistir.

Talvez seja essa vontade teimosa
de sentir outra vez,
de deixar o medo no lugar
e avançar mesmo sem garantias.
Porque, no fundo,
não quero passar a vida inteira
a proteger-me daquilo
que também me pode fazer feliz.

Por isso, desta vez,
quero arriscar a sorte.

Não porque tenha certezas,
mas porque percebi
que também é preciso coragem
para aceitar que podemos perder.

Quero olhar para alguém
e não fugir quando sentir demasiado.
Quero dizer o que penso
sem esconder aquilo que sou.
Quero deixar cair as defesas
que construí para sobreviver
e descobrir se, por baixo delas,
ainda existe espaço para alguém ficar.

Se correr mal,
aprenderei outra vez.

Se doer,
vou saber que pelo menos vivi.

Mas se resultar...
se desta vez a vida decidir
não me tirar aquilo que desejo,
talvez eu finalmente perceba
que algumas coisas
só aparecem quando temos coragem
de tentar a nossa sorte.

E eu quero tentar.

Sem promessas.
Sem certezas.
Sem saber onde isto vai dar.

Apenas eu,
com todos os meus medos,
todas as minhas cicatrizes
e uma vontade imensa
de descobrir
o que pode acontecer
quando, finalmente,
deixo de ter medo
de ganhar.

quarta-feira, outubro 07, 2026

O Meu Lugar no Paraíso


Houve um tempo
em que eu acreditava
que os sonhos eram feitos
para os outros.

Eu via o mundo
a acontecer diante dos meus olhos
e perguntava-me
onde tinha ficado
o lugar que um dia
imaginei para mim.

Tinha planos.

Tinha esperança.

Tinha aquela vontade
de chegar a algum lugar
onde tudo finalmente
fizesse sentido.

Mas a vida ensinou-me
que nem todos os caminhos
levam diretamente
ao que desejamos.

Alguns obrigam-nos
a perder-nos primeiro.

A atravessar noites
que parecem não ter fim.

A despedirmo-nos
de versões de nós
que já não conseguem
continuar connosco.

Também eu tive dias
em que deixei de acreditar.

Dias em que os sonhos
pareciam demasiado distantes
e o futuro
uma palavra sem significado.

Mas alguma coisa
dentro de mim
continuou a resistir.

Uma pequena voz
que dizia:

“Não é aqui que termina.”

E eu ouvi.

Talvez porque,
mesmo quando tudo parece perdido,
exista dentro de nós
um lugar que ninguém consegue destruir.

Um lugar onde ainda
somos capazes de sonhar.

Foi aí que voltei.

Não para procurar
a vida perfeita,

mas para descobrir
aquilo que realmente
me fazia feliz.

Percebi que o meu paraíso
não precisava de ser
um lugar distante.

Não precisava de riquezas.

Nem de grandes conquistas.

Talvez fosse simplesmente
ter alguém com quem partilhar
um momento bonito.

Ter paz
depois de tantos dias difíceis.

Rir sem motivo.

Acordar e sentir
que ainda vale a pena.

Olhar para o céu
e não sentir vontade
de fugir dele.

Talvez o paraíso
seja poder ser eu
sem medo.

Sem máscaras.

Sem precisar
de provar nada.

E talvez seja isso
que procuro agora:

um lugar onde o coração
não precise de estar sempre
em guerra consigo próprio.

Um lugar onde possa
amar sem medo,

sonhar sem vergonha,

e acreditar
sem precisar de garantias.

Ainda tenho cicatrizes.

Ainda existem dias
em que me sinto perdido.

Mas já não confundo
um dia difícil
com uma vida sem esperança.

Aprendi que até
as noites mais longas
acabam por abrir espaço
para a manhã.

E que alguns sonhos
não desaparecem.

Apenas esperam
que tenhamos coragem
de voltar a procurá-los.

Por isso, hoje,
não quero voltar atrás.

Quero continuar.

Mesmo devagar.

Mesmo sem saber
exatamente onde vou chegar.

Porque agora percebo
que talvez o paraíso
nunca tenha sido
o destino que eu procurava.

Talvez tenha sido
a vontade de continuar
a caminhar até ele.

E se um dia
eu conseguir olhar para trás
sem tristeza,

se conseguir sorrir
para tudo aquilo
que pensei ter perdido,

então saberei
que cheguei.

Não a um lugar perfeito.

Mas a mim.

E talvez seja esse
o verdadeiro paraíso:

acordar um dia
e perceber

que, depois de tudo,

ainda tenho sonhos,

ainda tenho amor,

ainda tenho esperança,

e ainda tenho dentro de mim
um lugar onde a vida
pode voltar a florescer.

terça-feira, outubro 06, 2026

Hoje, Sinto-me Só


Hoje estou triste.

Não é uma tristeza passageira,
daquelas que chegam
e desaparecem com o amanhecer.

É uma tristeza que ficou.

Que se sentou dentro de mim
e parece não ter pressa
de partir.

Estou desiludido.

Com algumas pessoas.

Com algumas palavras
que um dia acreditei.

Com algumas promessas
que pareciam verdade
e acabaram por ser apenas
mais uma ferida.

Estou desapontado.

Talvez porque esperava demais.

Talvez porque dei demasiado.

Talvez porque, no fundo,
só queria sentir
que aquilo que eu sentia
também tinha importância
para alguém.

Hoje sinto-me infeliz.

E custa admitir isso.

Porque tantas vezes
aprendi a sorrir
quando queria chorar,

a dizer “está tudo bem”
quando tudo dentro de mim
pedia para parar.

Estou cansado
de fingir que sou forte.

Cansado de esconder
aquilo que sinto
para não incomodar ninguém.

E o pior de tudo
é sentir-me completamente só
mesmo quando existem pessoas
à minha volta.

Porque a solidão
nem sempre acontece
quando não temos ninguém.

Às vezes acontece
quando temos alguém
e, ainda assim,
sentimos que não temos
onde pousar o coração.

Hoje precisava de um abraço.

Daqueles que não fazem perguntas.

Que não procuram respostas.

Que simplesmente dizem:

“Estou aqui.”

Precisava de alguém
que olhasse para mim
e percebesse
que por detrás do silêncio
há muito que eu não consigo dizer.

Não quero pena.

Não quero que me salvem.

Quero apenas
não me sentir sozinho
enquanto tento
encontrar novamente
o caminho para mim.

Talvez amanhã
seja diferente.

Talvez a tristeza
comece a perder força.

Talvez volte a sorrir
sem precisar de fingir.

Mas hoje,

hoje eu só consigo dizer
a verdade:

estou triste,

desiludido,

desapontado,

infeliz

e completamente só.

E, pela primeira vez,
não vou esconder isso.

Vou deixar a tristeza existir.

Vou deixar-me sentir.

Porque talvez reconhecer
que estou no fundo
seja também
o primeiro passo
para começar a subir.

E se ninguém estiver comigo
neste momento,

eu vou tentar ficar
comigo próprio.

Mesmo cansado.

Mesmo ferido.

Mesmo sem saber
o que vem depois.

Porque, no meio de toda esta solidão,

ainda existe uma parte de mim
que, apesar de tudo,

não desistiu.

segunda-feira, outubro 05, 2026

O Homem Que Vejo em Mim


Hoje parei diante do espelho

e, pela primeira vez,
não procurei defeitos.

Fiquei apenas a olhar.

Para os olhos cansados.

Para as marcas
que o tempo deixou.

Para tudo aquilo
que vivi
e que trouxe comigo
até aqui.

E percebi
que passei demasiado tempo
a esperar que o mundo mudasse,

sem perguntar
o que eu podia mudar em mim.

Culpei a vida.

Culpei as circunstâncias.

Culpei pessoas
que me magoaram.

Algumas vezes
tive razão.

Outras,
talvez não.

Mas hoje não quero
procurar culpados.

Quero procurar respostas.

Porque há coisas
que não posso controlar,

mas há uma coisa
que depende de mim:

a pessoa que escolho ser
a partir de agora.

Posso continuar
a carregar ressentimentos
como se fossem parte
da minha identidade.

Ou posso pousá-los.

Posso continuar
a alimentar as feridas
com memórias do passado.

Ou posso começar
a deixá-las cicatrizar.

Posso continuar
a esperar que alguém
me dê aquilo
que eu próprio
não tenho dado a mim.

Ou posso começar
a cuidar de mim
com a mesma paciência
que tantas vezes
tive para os outros.

Não quero ser perfeito.

Quero ser verdadeiro.

Quero aprender
a pedir desculpa
quando errar.

A agradecer
quando receber.

A ouvir
antes de responder.

A amar
sem precisar de possuir.

A estender a mão
mesmo quando seria mais fácil
virar costas.

Quero que as minhas palavras
tenham o mesmo valor
que os meus gestos.

Quero que aquilo
que sou quando ninguém olha
seja digno daquilo
que mostro ao mundo.

Porque não adianta
falar de mudança
se continuo a repetir
os mesmos erros.

Não adianta
pedir mais amor
se continuo a levantar muros.

Não adianta
esperar por um mundo melhor
se eu próprio
não estiver disposto
a ser melhor dentro dele.

Por isso, hoje,
começo comigo.

Não com promessas gigantes.

Não com discursos.

Começo pequeno.

Com uma escolha.

Depois outra.

E mais outra.

Até que aquilo que faço
comece finalmente
a parecer-se
com aquilo em que acredito.

Talvez eu não consiga
mudar o mundo inteiro.

Mas posso mudar
a maneira como atravesso
o mundo.

Posso ser mais gentil.

Mais presente.

Mais humano.

Posso deixar
um pouco de luz
por onde passar.

E talvez seja assim
que as grandes mudanças
realmente começam:

não quando alguém
grita mais alto,

mas quando uma pessoa
decide olhar para dentro
e dizer:

“Eu posso fazer diferente.”

Hoje volto a olhar
para o espelho.

Ainda vejo cicatrizes.

Ainda vejo erros.

Ainda vejo coisas
que preciso de aprender.

Mas também vejo alguém
que não desistiu.

E isso basta
para começar.

Não quero continuar
a perguntar
quando o mundo vai mudar.

Quero perguntar
o que posso mudar em mim
para que o mundo,
mesmo que só um pouco,

se torne diferente
depois de eu passar por ele.

Porque talvez
a transformação que procuro
não esteja lá fora.

Talvez tenha estado sempre aqui.

Diante de mim.

À espera
que eu tivesse coragem
de me reconhecer.

domingo, outubro 04, 2026

Que Tempo Foi Este


Há pessoas que chegam
sem avisar que vão ficar,
e momentos que começam
sem sabermos que um dia
iremos sentir saudades deles.

Contigo foi assim.

Não houve grandes promessas,
nem certezas escritas no futuro.
Houve apenas nós,
alguns risos,
alguns silêncios
e aquele estranho sentimento
de que, por um instante,
o mundo tinha parado.

Ainda me lembro
de como era fácil esquecer as horas,
de como uma conversa podia durar
mais do que a noite,
e de como a tua presença
conseguia tornar especial
um momento que, sozinho,
seria apenas mais um.

Talvez seja isso
que torna certas histórias
tão difíceis de deixar para trás:

não é apenas a pessoa
que nos faz falta.

É quem éramos
quando estávamos com ela.

Hoje, quando penso em nós,
não sei se sinto saudade
ou apenas gratidão
por ter vivido aquilo.

Talvez um pouco dos dois.

Porque houve coisas bonitas
que não precisaram de durar para sempre
para serem verdadeiras.

Houve um tempo
em que fomos exatamente
aquilo de que precisávamos.

E mesmo que a vida tenha seguido,
mesmo que os caminhos tenham mudado,
há memórias que continuam
a aparecer de vez em quando,
como uma música antiga
que ainda sabemos cantar.

E eu pergunto-me:

que tempo foi este?

Como conseguimos ser tão próximos
e, depois, tão distantes?

Como pode alguém
ocupar tanto espaço dentro de nós
e, um dia,
passar a viver apenas
numa memória?

Não tenho respostas.

E talvez já não precise delas.

Prefiro guardar o que foi bonito
sem transformar o passado
num lugar onde preciso de voltar.

Porque algumas pessoas
não entram na nossa vida
para ficar.

Entram para nos ensinar
que somos capazes de sentir,
de confiar,
de rir sem pensar no amanhã
e de viver momentos
que, mesmo breves,
podem permanecer conosco
durante muitos anos.

E se algum dia
me perguntarem por ti,
talvez eu sorria.

Não porque tenha esquecido.

Mas porque, apesar de tudo,
posso olhar para trás
e dizer baixinho:

que tempo bonito foi este
enquanto durou.