Há noites
em que olho para o céu
e parece que todas as estrelas
se esqueceram de mim.
Fico ali,
entre o silêncio e a esperança,
a tentar descobrir
se ainda existe alguma luz
capaz de me encontrar.
Já esperei demasiado
por respostas
que nunca chegaram.
Por uma mão
que aparecesse no momento certo.
Por alguém que dissesse
que tudo ficaria bem.
Mas aprendi
que nem sempre a luz
vem de fora.
Às vezes esperamos tanto
que alguém nos salve
que esquecemos
que ainda conseguimos
dar um passo sozinhos.
Eu também tive noites
em que pensei
que não havia amanhã.
Dias em que o coração
se cansou de acreditar.
Momentos em que a esperança
parecia apenas
uma palavra bonita
sem lugar na minha vida.
Mas continuei.
Mesmo sem saber porquê.
Continuei quando não tinha forças.
Continuei quando o caminho
parecia desaparecer
debaixo dos meus pés.
E talvez tenha sido aí
que alguma coisa mudou.
Percebi que não precisava
de ver o fim da noite
para acreditar na manhã.
Bastava continuar.
Um passo.
Depois outro.
Uma respiração.
Mais um dia.
Talvez a luz
que eu procurava
nunca chegasse da forma
como a imaginei.
Talvez não fosse
um acontecimento extraordinário,
nem uma resposta perfeita,
nem alguém a aparecer
para apagar todas as minhas dores.
Talvez fosse apenas
a pequena vontade
de não desistir.
Aquele instante
em que, mesmo cansado,
o coração diz:
“Mais uma vez.”
E eu ouvi.
Hoje ainda tenho cicatrizes.
Ainda existem dias
em que a escuridão
parece demasiado próxima.
Ainda há coisas
que não compreendo.
Mas já não tenho tanto medo
da noite.
Porque sei
que posso atravessá-la.
E, enquanto caminho,
vou aprendendo
a criar a minha própria luz.
Não uma luz perfeita.
Não uma luz que elimine
tudo o que dói.
Uma luz pequena,
mas verdadeira,
capaz de iluminar
apenas o próximo passo.
E talvez seja suficiente.
Porque não preciso
de saber onde termina
o caminho.
Preciso apenas
de continuar.
Até que um dia
olhe para trás
e perceba
que aquela luz
que esperei durante tanto tempo
não estava escondida
no fim da noite.
Estava comigo
desde o início.
Eu é que ainda
não tinha aprendido
a vê-la.






