quarta-feira, agosto 19, 2026

Como Se Fosse a Primeira Vez



Quando penso em ti,
há qualquer coisa em mim
que perde a razão
e ganha vontade de viver.

É como se o teu sorriso
tivesse o estranho poder
de transformar um dia comum
numa noite que não quero terminar.

Quero-te perto,
sem promessas complicadas,
sem medo do amanhã,
apenas nós dois
a descobrir onde o desejo
se encontra com a ternura.

Porque contigo
o amor parece mais leve,
mais espontâneo,
como aquela felicidade simples
que não precisa de explicação.

Quero rir contigo,
provocar-te,
abraçar-te sem motivo
e roubar-te um beijo
só para ver esse teu olhar
depois do meu.

E quando estiveres longe,
sei que vou procurar-te
nos pensamentos,
nas músicas,
nas pequenas coisas
que inesperadamente
me fazem lembrar de ti.

Há qualquer coisa em nós
que não sei explicar.

Talvez seja desejo.
Talvez seja paixão.
Talvez seja simplesmente
aquela vontade bonita
de querer alguém
mais perto do que a distância permite.

E se amar-te
me faz sentir assim,
então deixa-me continuar.

Porque, contigo,
até o coração mais adulto
volta a descobrir
a alegria inocente
de se apaixonar
como se fosse
a primeira vez.

terça-feira, agosto 18, 2026

A Estranha Lógica do Coração


Disseram-me

que o coração

segue regras.

Que ama devagar,

que escolhe com cuidado,

que evita tudo

o que possa magoar.

Sorri.

Porque nunca vi

o amor

obedecer a mapas.

Ele aparece

quando menos esperamos.

Escolhe a pessoa

que não estava nos planos.

Transforma coincidências

em lembranças,

e pequenos gestos

em lugares

onde queremos permanecer.

É estranho...

Há dias

em que bastam

duas palavras tuas

para me fazerem sorrir

durante horas.

E há silêncios

que dizem muito mais

do que conversas inteiras.

Nunca percebi

como alguém

consegue habitar

os nossos pensamentos

sem fazer barulho.

Mas tu conseguiste.

E agora encontro-te

na música,

nas cores do céu,

num livro esquecido,

numa chávena de café,

ou simplesmente

na forma

como o vento

me faz lembrar

o teu nome.

Talvez o amor

seja exatamente isso.

Uma coleção

de pequenas loucuras

que, vistas de fora,

não fazem qualquer sentido.

Mas que, vistas

por quem as vive,

são a forma

mais bonita

de existir.

Se é estranho?

Talvez.

Mas há estranhezas

que aquecem a alma.

Que devolvem cor aos dias.

Que nos fazem acreditar

que ainda vale a pena

deixar o coração

escrever a história

sem lhe pedir

qualquer explicação.

Porque, no fim,

o amor

nunca foi lógico.

Sempre foi

o mais belo

dos mistérios.

segunda-feira, agosto 17, 2026

Entre a Saudade e o Teu Nome


Há ausências

que não fazem barulho.

Entram devagar,

instalam-se nos pequenos gestos

e transformam o quotidiano

num lugar demasiado grande.

Dou por mim

a procurar-te

em canções

que nunca ouvimos juntos,

em ruas

que guardam apenas

a esperança

de um reencontro.

É curioso...

Não sinto falta

apenas da tua voz.

Sinto falta

da forma como o dia

parecia mais leve

quando sabia

que existias

do outro lado

de uma mensagem.

A distância

tem este estranho talento

de ensinar

o verdadeiro valor

da proximidade.

Cada hora

parece alongar-se.

Cada noite

faz mais perguntas

do que respostas.

Mesmo assim,

há uma certeza

que nunca se afasta.

Não importa

quantos quilómetros

existam entre nós.

O coração

continua a encontrar

o caminho até ti.

Porque sentir a tua falta

não é viver preso

ao que não tenho.

É recordar,

a cada instante,

o quanto a tua presença

mudou a forma

como olho para o mundo.

E talvez seja esse

o lado mais bonito

da saudade.

Ela não fala

apenas da distância.

Fala da importância

de alguém

que conseguiu transformar

um simples "até amanhã"

num motivo suficiente

para acreditar

que todos os reencontros

valem a espera.

domingo, agosto 16, 2026

Antes de Mim


Não quero apagar

as páginas

que existiram antes de nós.

Cada uma delas

ajudou a escrever

a pessoa

que hoje tenho diante de mim.

Houve quem te ensinasse

a desconfiar.

Quem te fizesse rir.

Quem te deixasse

alguma cicatriz

que ainda hoje

o tempo acaricia devagar.

E houve também

quem passasse

sem perceber

o tesouro

que tinha ao alcance das mãos.

Eu não luto

contra fantasmas.

Nem disputo

memórias

que pertencem

a outra estação da vida.

Prefiro construir

um presente

tão verdadeiro

que o passado

deixe de fazer perguntas.

Não quero ser

o melhor

de todos os que conheceste.

Quero apenas

ser aquele

que te faz sentir

que já não precisas

de procurar.

Aquele

com quem o silêncio

não pesa.

Com quem as manhãs

têm vontade

de começar mais cedo,

e as despedidas

parecem sempre

demasiado rápidas.

Porque o amor

não vence

por comparação.

Vence

pela paz

que deixa

dentro de nós.

Se um dia

olhares para trás,

espero que não seja

para medir

quem esteve antes.

Mas para sorrires,

percebendo

que cada caminho,

mesmo os mais difíceis,

te trouxe exatamente

ao lugar

onde o teu coração

aprendeu,

finalmente,

a descansar.

sábado, agosto 15, 2026

No Quarto Onde o Tempo Espera


Fechas a porta,

e o mundo

fica do lado de fora.

Aqui,

o tempo perde a pressa.

A noite

aprende a respirar

ao ritmo dos nossos olhares.

A luz desenha

sombras suaves

na tua pele,

como se cada reflexo

quisesse guardar

o segredo

da tua beleza.

Aproximo-me devagar.

Não para quebrar o silêncio,

mas para o ouvir.

Porque há silêncios

que dizem mais

do que qualquer palavra

alguma vez conseguiria.

Os teus dedos

procuram os meus,

e esse gesto simples

tem a intensidade

de uma promessa

que não precisa

de ser pronunciada.

Há um sorriso.

Um arrepio.

Uma distância tão pequena

que o coração

já não distingue

onde termina

a tua respiração

e começa a minha.

O desejo

não corre.

Passeia.

Demora-se

na delicadeza

de um toque,

na ternura

de um beijo prolongado,

na cumplicidade

de quem se descobre

sem medo

de ser visto.

E, naquele instante,

o quarto deixa de ter paredes.

Transforma-se

num universo inteiro

feito de pele,

de sorrisos,

de olhares demorados

e da estranha magia

de dois corações

que se reconhecem

antes mesmo

de os lábios

voltarem a encontrar-se.

Porque há noites

que não se recordam

pela intensidade.

Recordam-se

pela forma serena

como nos ensinam

que a maior proximidade

começa muito antes

do primeiro beijo.

sexta-feira, agosto 14, 2026

Não Tenhas Medo de Sentir


Não precisas

de esconder o sorriso

quando os nossos olhares

se encontram.

Nem de fingir

que o coração

permanece tranquilo,

quando ele próprio

já começou

a escrever outra história.

Não tenhas medo.

Ninguém é mais forte

por fugir de

àquilo que sente.

Há uma coragem

muito maior

em deixar

que o coração

respire livremente.

Sei que o passado

ensina prudência.

Que existem promessas

que não foram cumpridas,

silêncios

que ainda fazem eco,

e cicatrizes

que o tempo

ainda acaricia.

Mas nem todas as histórias

terminam da mesma forma.

Há encontros

que chegam

para devolver

a confiança.

Para mostrar

que um abraço

também pode ser

um lugar seguro.

Não te peço

que acredites

em palavras bonitas.

Olha antes

para os gestos.

São eles

que permanecem

quando as frases

já foram esquecidas.

Se algum dia

duvidares

do caminho,

aproxima-te.

Escuta apenas

o que o teu coração

te sussurra

quando o mundo

fica em silêncio.

Talvez descubras

que a felicidade

não faz barulho.

Chega devagar,

senta-se ao nosso lado,

segura-nos a mão

e espera,

pacientemente,

que deixemos

de ter medo

de a viver.

Porque há sentimentos

que não pedem licença.

Apenas entram,

iluminam os dias

e fazem-nos perceber

que algumas pessoas

não aparecem

para mudar quem somos.

Aparecem

para nos lembrar

de quem sempre fomos

quando acreditávamos

que tudo ainda era possível.

E, nesse instante,

o coração sorri,

como quem finalmente percebe

que nunca foi um risco

abrir-se de novo.

Foi sempre

a mais bonita forma

de voltar a viver.

Entre os Cacos da Luz


Passei demasiado tempo

a acreditar

que precisava de ser inteiro

para merecer

um lugar no mundo.

Escondi as minhas falhas

como quem tenta proteger

um castelo

construído de vidro.

Bonito à distância.

Frágil ao primeiro impacto.

Cada desilusão

abriu uma nova fenda.

Cada despedida

deixou uma janela

por onde o vento

entrou sem pedir licença.

E houve dias

em que pensei

que já não restava

nada para salvar.

Mas o vidro partido

tem um segredo

que poucos compreendem.

Quando a luz o atravessa,

cada fragmento

aprende uma maneira diferente

de brilhar.

Foi então

que deixei

de lamentar

as minhas cicatrizes.

Percebi

que elas não eram

a prova

de que eu tinha perdido.

Eram o mapa

de tudo aquilo

que consegui sobreviver.

Nenhuma alma

é feita apenas

de vitórias.

Somos encontros,

quedas,

promessas quebradas,

esperanças recuperadas,

e pequenos milagres

que acontecem

quando decidimos

não desistir.

Hoje já não procuro

reconstruir

o castelo perfeito.

Prefiro levantar

um lar

onde cada imperfeição

tenha espaço para existir.

Porque a verdadeira força

não nasce

daquilo que nunca se parte.

Nasce

da coragem

de juntar os pedaços,

olhar para eles

sem vergonha,

e descobrir

que até um coração

marcado pelo tempo

é capaz

de refletir a luz

de uma forma

que nenhum cristal intacto

alguma vez conseguiria.

quinta-feira, agosto 13, 2026

O Lugar Que Procurei


Passei anos

a procurar um lugar

que tivesse o meu nome,

sem perceber

que nenhum caminho

me levaria até ele

enquanto continuasse

a fugir de mim.

Vesti expectativas

que não eram minhas.

Carreguei sonhos

que pertenciam a outras pessoas.

Aprendi a encaixar,

a agradar,

a sobreviver...

mas nunca,

verdadeiramente,

a viver.

Havia um vazio

que nem o tempo,

nem as vitórias,

nem o silêncio

conseguiam preencher.

Era como olhar o horizonte

e sentir

que a casa existia,

mas ainda não sabia

onde a encontrar.

Foi preciso perder-me

para começar

a reconhecer a minha própria voz.

Aceitar as falhas

que sempre tentei esconder.

Abraçar as cicatrizes

que julgava serem defeitos,

quando, afinal,

eram apenas

a prova

de que nunca deixei

de lutar.

Hoje já não procuro

ser aquilo

que o mundo espera.

Procuro apenas

que cada passo

se pareça comigo.

Porque pertença

não é um lugar.

Nem uma cidade.

Nem o olhar

de quem nos aceita.

É o instante

em que deixamos

de pedir licença

para sermos quem somos.

E, quando esse dia chega,

o coração deixa de vaguear.

Sorri em silêncio,

respira sem medo

e percebe,

pela primeira vez,

que o destino

não era encontrar

um lugar qualquer.

Era encontrar,

finalmente,

o lugar

onde a alma

se reconhece.