domingo, setembro 20, 2026

A Luz Que Eu Ainda Procuro


Há noites
em que olho para o céu
e parece que todas as estrelas
se esqueceram de mim.

Fico ali,
entre o silêncio e a esperança,
a tentar descobrir
se ainda existe alguma luz
capaz de me encontrar.

Já esperei demasiado
por respostas
que nunca chegaram.

Por uma mão
que aparecesse no momento certo.

Por alguém que dissesse
que tudo ficaria bem.

Mas aprendi
que nem sempre a luz
vem de fora.

Às vezes esperamos tanto
que alguém nos salve
que esquecemos
que ainda conseguimos
dar um passo sozinhos.

Eu também tive noites
em que pensei
que não havia amanhã.

Dias em que o coração
se cansou de acreditar.

Momentos em que a esperança
parecia apenas
uma palavra bonita
sem lugar na minha vida.

Mas continuei.

Mesmo sem saber porquê.

Continuei quando não tinha forças.

Continuei quando o caminho
parecia desaparecer
debaixo dos meus pés.

E talvez tenha sido aí
que alguma coisa mudou.

Percebi que não precisava
de ver o fim da noite
para acreditar na manhã.

Bastava continuar.

Um passo.

Depois outro.

Uma respiração.

Mais um dia.

Talvez a luz
que eu procurava
nunca chegasse da forma
como a imaginei.

Talvez não fosse
um acontecimento extraordinário,

nem uma resposta perfeita,

nem alguém a aparecer
para apagar todas as minhas dores.

Talvez fosse apenas
a pequena vontade
de não desistir.

Aquele instante
em que, mesmo cansado,
o coração diz:

“Mais uma vez.”

E eu ouvi.

Hoje ainda tenho cicatrizes.

Ainda existem dias
em que a escuridão
parece demasiado próxima.

Ainda há coisas
que não compreendo.

Mas já não tenho tanto medo
da noite.

Porque sei
que posso atravessá-la.

E, enquanto caminho,
vou aprendendo
a criar a minha própria luz.

Não uma luz perfeita.

Não uma luz que elimine
tudo o que dói.

Uma luz pequena,

mas verdadeira,

capaz de iluminar
apenas o próximo passo.

E talvez seja suficiente.

Porque não preciso
de saber onde termina
o caminho.

Preciso apenas
de continuar.

Até que um dia
olhe para trás

e perceba

que aquela luz
que esperei durante tanto tempo

não estava escondida
no fim da noite.

Estava comigo
desde o início.

Eu é que ainda
não tinha aprendido

a vê-la.

sábado, setembro 19, 2026

O Vazio Que Deixei Para Trás

Há dias em que sinto
que preciso de qualquer coisa
que me faça esquecer
a monotonia dos dias iguais.

Não procuro uma fuga.

Procuro uma sensação
que me acorde por dentro,
que faça o coração acelerar
e me devolva aquela vontade
de viver sem pensar demasiado.

Preciso de algo
que não tenha efeitos secundários,
que não me roube a lucidez,
mas que consiga transformar
um dia comum
num momento impossível de esquecer.

E então apareces tu.

Com esse sorriso
que desarma as minhas defesas,
com esse olhar
que parece saber exatamente
onde tocar
sem sequer me tocar.

Talvez sejas tu
aquilo que eu procurava
sem saber que procurava.

Não uma cura
para aquilo que me falta,

mas uma razão
para deixar de procurar.

Porque contigo
não preciso de esquecer o mundo.

Quero senti-lo.

Quero rir mais alto,
ficar acordado até tarde,
inventar planos sem sentido,
perder-me em conversas
que nunca queremos terminar.

Quero aquela vertigem
que começa num olhar
e termina num sorriso.

Quero a tua presença
nos meus dias bons
e nos dias em que tudo pesa.

Quero sentir
que ainda existe dentro de mim
uma parte capaz de se surpreender,
de desejar,
de sonhar
e de se apaixonar.

E se o amor tem mesmo
alguma espécie de loucura,

então talvez eu não queira
ser curado.

Quero apenas
continuar a sentir
esta coisa estranha e bonita
que acontece quando penso em ti.

Porque há pessoas
que nos fazem perder o equilíbrio.

E há pessoas
que nos fazem perceber
que nunca estivemos
tão vivos.

Tu és assim.

Não preciso de outra coisa.

Preciso apenas
desse instante em que apareces,

desse sorriso que fica comigo
mesmo depois de partires,

e dessa sensação
de que, por alguns momentos,

o mundo inteiro
fica exatamente
onde devia estar.

E talvez seja isso
que eu sempre procurei:

não algo que me faça
esquecer a vida,

mas alguém
que me faça

querer vivê-la

com muito mais intensidade.

sexta-feira, setembro 18, 2026

Também Eu Sinto


Há dias
em que tudo parece demasiado.

O mundo continua a girar,
as pessoas continuam a sorrir,
os relógios continuam a avançar,

mas dentro de mim
há qualquer coisa
que simplesmente não consegue acompanhar.

Há momentos
em que me sinto cansado
de fingir que sou forte.

De dizer que está tudo bem
quando, na verdade,
só queria encontrar
um lugar onde pudesse
baixar a guarda.

Também eu sinto.

Também eu me perco.

Também eu tenho dias
em que não sei
para onde levar aquilo
que trago dentro do peito.

Aprendi a esconder
muitas coisas atrás de um sorriso.

Talvez porque sempre achei
que mostrar a dor
era mostrar fraqueza.

Hoje sei que não é.

Há uma coragem silenciosa
em admitir:

“Hoje não estou bem.”

E não há vergonha nenhuma
em precisar de parar.

Em respirar.

Em chorar.

Em pedir um abraço
sem conseguir explicar
porquê.

Todos carregamos
batalhas que ninguém vê.

Há pessoas que sorriem
enquanto lutam contra tempestades
que nunca chegam
a contar a ninguém.

Eu também tenho as minhas.

Algumas deixaram cicatrizes.

Outras ainda doem.

Mas aprendi
que uma noite difícil
não significa que a vida
será sempre escura.

Há manhãs
que chegam devagar.

Há pequenas coisas
que conseguem devolver
um pouco de luz.

Uma palavra.

Um abraço.

Um olhar.

A presença de alguém
que fica
quando seria mais fácil partir.

E talvez seja isso
que mais precisamos
nos momentos difíceis:

não de alguém
que tenha todas as respostas,

mas de alguém
que simplesmente diga:

“Estou aqui.”

Por isso,
quando eu próprio me sentir perdido,

vou tentar lembrar-me
de que não preciso
de resolver tudo hoje.

Posso avançar devagar.

Posso descansar.

Posso recomeçar
quantas vezes forem necessárias.

Porque a dor passa por fases.

A saudade muda de forma.

As feridas aprendem
a fechar.

E aquilo que hoje parece
impossível de suportar
pode, um dia,
tornar-se apenas
uma memória de uma batalha
que consegui atravessar.

Também eu sinto.

Também eu sofro.

Mas também eu continuo.

E enquanto houver
um pequeno espaço
para a esperança,

uma razão para acordar,

um abraço para receber,

um coração para amar,

eu vou continuar
a escolher a vida.

Mesmo nos dias difíceis.

Mesmo quando não tenho respostas.

Mesmo quando a luz
parece demasiado distante.

Porque aprendi
que não é preciso
ser forte o tempo inteiro.

Às vezes,

ser forte

é simplesmente

não desistir

de chegar

ao próximo amanhecer.

quinta-feira, setembro 17, 2026

Leva-me Contigo

Há momentos em que o mundo
parece parar por um instante,
e basta uma presença, um olhar,
para tudo ganhar outro significado.

Há uma força que nos aproxima,
uma vontade difícil de explicar,
como se o coração soubesse
antes de nós onde quer ficar.

Quero viver esse sentimento
sem medo do que possa acontecer,
deixar que a ternura nos envolva
e que o desejo nos ensine a sentir.

Porque há amores que não precisam de promessas,
nem de palavras perfeitas para existir.
Basta encontrar alguém
que nos faça querer ficar,
que transforme cada instante
num motivo para sorrir.

E se a vida nos der esse momento,
quero vivê-lo sem hesitar:
entregar-me àquilo que sentimos
e deixar o coração
levar-nos para onde quiser chegar.

quarta-feira, setembro 16, 2026

Nós Somos o Agora

Somos feitos de instantes,
de sonhos que ninguém consegue prender,
de noites que parecem eternas
e manhãs que nos ensinam a renascer.

Há um mundo inteiro lá fora,
mas quando estás junto de mim,
tudo parece mais pequeno,
como se o universo começasse aqui.

Somos aquilo que sentimos,
mesmo quando temos medo de sentir,
duas almas imperfeitas
que escolheram ficar,
mesmo sem saber onde ir.

E se o tempo mudar os nossos caminhos,
se o amanhã trouxer outra direção,
quero guardar aquilo que fomos:
a coragem de viver o presente
com o coração nas mãos.

Porque talvez a vida seja isto —
encontrar alguém no meio da multidão
e descobrir, num simples olhar,
que há encontros que não acontecem por acaso.

E enquanto houver céu sobre nós,
enquanto houver sonhos para alcançar,
quero estar contigo,
sem promessas impossíveis,
apenas com a certeza
de que juntos somos mais do que dois.

Somos o instante.
Somos o desejo.
Somos a esperança de continuar.

Somos nós
e, por agora,
isso é tudo o que preciso.

terça-feira, setembro 15, 2026

A Noite Dentro da Minha Cabeça


Há noites
em que o sono foge
e deixa para trás
um quarto cheio de pensamentos.

Fecho os olhos,

mas a mente permanece acordada,

a percorrer corredores
onde nenhuma porta
parece levar ao silêncio.

Uma pergunta chama outra.

Uma lembrança
acorda outra.

E aquilo que durante o dia
consigo esconder
ganha voz quando tudo
à minha volta
fica quieto.

Penso demasiado.

Sinto demasiado.

Revejo palavras,
gestos,
olhares,

como se existisse
alguma resposta escondida
num detalhe
que deixei escapar.

O relógio avança.

A noite fica mais profunda.

E eu continuo aqui,

preso entre o cansaço
do corpo
e a inquietação
da cabeça.

Há pensamentos
que não pedem licença.

Entram.

Sentam-se.

Ficam.

Transformam pequenas dúvidas
em tempestades
e coisas simples
em labirintos impossíveis.

Por vezes,

só queria desligar
por algumas horas
a máquina dentro de mim.

Não pensar.

Não procurar razões.

Não antecipar o amanhã.

Apenas respirar.

Mas a mente insiste
em construir cenários
que talvez nunca aconteçam,

em ressuscitar momentos
que já morreram,

em transformar
o passado
num lugar onde continuo
a viver.

Até que percebo:

nem todos os pensamentos
merecem uma resposta.

Nem todas as perguntas
precisam de ser resolvidas
durante a madrugada.

Há coisas
que só parecem enormes
porque a noite
as ilumina de forma diferente.

Então respiro.

Deixo o relógio continuar.

Deixo as sombras passar.

E digo a mim mesmo
que amanhã
será outro dia.

Talvez algumas respostas
cheguem com a luz.

Talvez outras
simplesmente deixem
de importar.

Por agora,

não preciso de vencer
a minha própria cabeça.

Preciso apenas
de lhe ensinar
que também existe silêncio.

Que nem tudo precisa
de ser pensado.

Que nem toda a dor
precisa de uma explicação.

E que, mesmo depois
da noite mais longa,

há sempre um instante
em que o céu começa
a clarear,

e a mente cansada
percebe finalmente

que sobreviver à escuridão
também é

uma forma

de encontrar

a manhã.

segunda-feira, setembro 14, 2026

Desejo

Há desejos que chegam em silêncio,
sem pedir licença para ficar,
nascem num olhar demorado
e crescem sempre que tentamos disfarçar.

Há uma força invisível
que nos aproxima sem explicar,
como se o coração soubesse
antes de nós onde quer chegar.

É uma vontade que não se apaga,
mesmo quando tentamos resistir,
uma chama escondida no peito
que só precisa de um instante para ressurgir.

Talvez desejar seja isso:
sentir falta antes da partida,
querer tocar aquilo que nos chama
e deixar que o sentimento
nos conduza pela vida.

Porque existem encontros
que despertam qualquer coisa em nós,
uma inquietação doce e profunda
que transforma o silêncio
numa linguagem que só o coração entende.

E quando finalmente deixamos de lutar
contra aquilo que sentimos,
percebemos que alguns desejos
não vieram para passar.

Vieram para nos lembrar
de que ainda sabemos sentir.