que conhecia o mapa da minha vida.
Cada passo parecia escolhido,
cada silêncio tinha um motivo,
cada amanhecer repetia
a mesma tranquilidade de sempre.
Nunca me faltou companhia.
Tinha-me a mim.
E isso bastava.
Aprendi a encontrar beleza
nas estradas vazias,
nos cafés bebidos em silêncio,
nos livros deixados abertos
à espera de um novo capítulo.
Depois aconteceu o inesperado.
Não foi um estrondo.
Foi um pequeno detalhe,
quase invisível,
que entrou devagar
e mudou a forma como eu olhava o mundo.
Sem dar por isso,
comecei a sorrir sem motivo.
A esperar por uma mensagem.
A descobrir que a distância
também pode aproximar duas almas.
Mal sabia eu...
Que alguém podia tornar-se casa
sem nunca atravessar a minha porta.
Que um simples "bom dia"
podia valer mais
do que uma conversa inteira.
Que o coração
não pede autorização
quando decide mudar de rumo.
Hoje continuo o mesmo.
Continuo a gostar do silêncio,
das manhãs lentas
e da paz que sempre encontrei em mim.
Mas agora sei
que há uma diferença enorme
entre viver em paz
e descobrir alguém
que torna essa paz ainda mais bonita.
Mal sabia eu...
Que a vida ainda guardava
uma página em branco.
E que bastava um único nome
para lhe dar significado.








