Há um silêncio que ninguém escuta,
mas que grita dentro do peito.
Não deixa sangue nas mãos,
apenas memórias onde antes havia esperança.
Carrego o peso dos dias
como quem arrasta correntes feitas de escolhas.
Algumas foram minhas,
outras foram apenas o preço de continuar.
Olho para trás
e encontro sombras com o meu nome.
Pessoas que amei,
sonhos que deixei cair pelo caminho,
palavras que nunca tive coragem de dizer.
O espelho devolve-me um rosto cansado,
marcado pelo tempo e pelas despedidas.
Ainda assim, atrás das rugas da alma,
há uma pequena chama que insiste em não morrer.
Porque a dor ensina,
mas nunca deve governar.
As cicatrizes lembram quem fomos,
não quem ainda podemos ser.
Se um dia tudo desaparecer —
o orgulho, os medos, os aplausos e os fracassos —
espero que reste apenas isto:
um coração imperfeito,
que amou com tudo o que tinha,
e encontrou na própria fragilidade
a última forma de permanecer humano.






