Nasci de mãos vazias,
com o silêncio como companheiro
e o horizonte como única promessa.
Nunca temi a solidão.
Ela ensinou-me a ouvir
o som das árvores,
o ritmo da chuva
e as respostas que o mundo só oferece
a quem sabe esperar.
Vi rostos passarem
como estações do ano.
Alguns trouxeram primavera,
outros apenas vento.
Todos seguiram viagem.
E eu fiquei.
Não preso ao passado,
mas enraizado em mim.
O tempo deixou marcas,
algumas visíveis,
outras escondidas atrás do sorriso
de quem aprendeu
que nenhuma noite é eterna.
Ainda olho para o alto.
Não à espera de milagres,
mas porque há sonhos
que recusam envelhecer.
Enquanto houver um novo amanhecer,
haverá um caminho por descobrir,
uma montanha por subir,
um verso por escrever.
Talvez um dia alguém caminhe ao meu lado.
Talvez não.
Mas nunca deixarei de seguir em frente,
porque a vida não pertence
a quem nunca caiu.
Pertence a quem,
mesmo sozinho,
ergue os olhos para o infinito
e continua a acreditar
que o melhor capítulo
ainda não foi vivido.






