Há cores
que os olhos reconhecem.
E há outras
que apenas o coração
é capaz de sentir.
Tu és uma delas.
Não chegaste
como um clarão.
Chegaste
como aquela luz discreta
que só se revela
a quem aprende
a olhar com calma.
Desde então,
os dias
ganharam novas tonalidades.
O céu parece maior.
O vento
traz melodias diferentes.
E até o silêncio
passou a guardar
o teu nome
sem nunca o pronunciar.
Há qualquer coisa
na tua presença
que desafia
todas as explicações.
Como se existisse
uma frequência invisível
onde os nossos pensamentos
se encontram
antes mesmo
de os transformarmos
em palavras.
Às vezes,
basta imaginar
o teu sorriso
para o mundo
parecer menos pesado.
Outras,
é suficiente saber
que existes,
algures,
para sentir
que o dia
já valeu a pena.
Se o amor
fosse apenas
aquilo que se vê,
seria simples.
Mas ele vive,
sobretudo,
naquilo
que permanece invisível.
Na confiança
que cresce
sem fazer ruído.
Na saudade
que aproxima.
Na esperança
que resiste,
mesmo quando
a distância
tenta convencer-nos
do contrário.
Talvez seja por isso
que nunca consegui
explicar
o que és para mim.
Porque há sentimentos
que vivem
para lá da luz.
Num lugar
onde nenhuma sombra
consegue chegar.
E é aí,
nesse espaço secreto
que só dois corações
sabem encontrar,
que continuo
a guardar-te,
como a mais rara
e mais bonita
das cores
que alguma vez
a minha alma
aprendeu a ver.






