Passei grande parte da vida
a acreditar que cada caminho
era apenas isso...
um caminho.
Uns mais longos,
outros mais difíceis,
mas todos destinados
a serem percorridos em silêncio.
Aprendi a gostar da minha companhia.
Nunca vi a solidão como castigo.
Era apenas a paisagem
que conhecia melhor.
Depois apareceste.
Sem prometer respostas.
Sem tentar mudar quem eu era.
Limitaste-te a caminhar ao meu lado
e, sem perceberes,
o horizonte começou a parecer diferente.
Há encontros
que não precisam de fazer sentido.
Basta acontecerem.
Como a chuva que chega
depois de um verão demasiado longo.
Como a primeira estrela
que aparece antes da noite.
Como uma melodia
que parece ter esperado uma vida inteira
para ser ouvida.
Não acredito que o destino
escreva todas as histórias.
Acredito, isso sim,
que existem pessoas
que aparecem no momento certo
para nos lembrar
que ainda vale a pena abrir o coração.
Mesmo depois das quedas.
Mesmo depois das dúvidas.
Mesmo quando o medo insiste
em dizer que é mais seguro desistir.
Porque há uma força tranquila
que não faz barulho.
Não impõe.
Não exige.
Apenas permanece.
É ela que nos faz acreditar
que alguns caminhos,
por mais distantes que pareçam,
acabam sempre por encontrar-se.
E talvez seja esse
o maior milagre da vida.
Não a ausência de obstáculos.
Mas a coragem de continuar a caminhar
até descobrir alguém
que faz cada passo dado antes do seu encontro
parecer ter valido a pena.
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