Disseste-me, a sorrir,
que ficaste presa na minha cabeça.
Que, do meu coração,
só sairias se um dia eu te pedisse.
Sorri.
Não porque acreditasse em correntes.
Mas porque percebi
que existem prisões
onde ninguém quer deixar de viver.
Depois olhei para ti
e pensei em silêncio:
Que sorte a tua...
Tu continuas livre.
Livre para voar,
para escolher o teu caminho,
para seguir o vento
ou regressar quando o coração mandar.
E talvez seja esse
o segredo de tudo.
O verdadeiro carinho
nunca fecha portas.
Nunca prende asas.
Ama precisamente
porque deixa o outro ser livre.
Quanto a mim...
Não preciso de liberdade
quando o meu lugar preferido
é onde tu existes.
Deixo-me prender
pelas tuas palavras,
pelo teu sorriso,
pela paz que encontro
sempre que penso em ti.
Esta noite voltarei a adormecer
acorrentado ao teu nome.
Não por obrigação.
Mas porque há correntes
feitas de ternura,
de confiança
e de sonhos partilhados,
que não pesam.
Pelo contrário...
São elas que nos ensinam a voar.
E, enquanto continuar a sonhar contigo,
saberei que a mais bonita forma de liberdade
é escolher,
todos os dias,
permanecer junto de ti.






