quarta-feira, julho 22, 2026

Quando Ela Se Torna Casa


Há pessoas
que chegam devagar,
sem promessas grandiosas,
sem querer mudar o mundo.

E, ainda assim,
mudam o nosso.

Não pela força das palavras,
mas pela delicadeza dos gestos
que quase passam despercebidos.

Amar alguém
não é viver de grandes declarações.

É querer saber
como correu o seu dia.

É sorrir
quando ela sorri.

É preocupar-se
quando o seu olhar perde um pouco da luz.

É guardar um lugar à mesa,
mesmo quando a distância o deixa vazio.

É descobrir
que a felicidade também pode ser egoísta,

porque basta vê-la feliz
para o próprio coração descansar.

Há uma beleza rara
em conhecer alguém
sem desejar mudá-la.

Em admirar-lhe as imperfeições,
as dúvidas,
a teimosia que a faz discutir consigo própria
antes de acreditar no que vale.

Porque quem olha apenas para a superfície
vê um rosto.

Quem olha com o coração
descobre um universo inteiro.

Se algum dia me perguntarem
o que significa encontrar alguém especial,

não falarei de destinos escritos nas estrelas.

Falarei da paz.

Daquela paz silenciosa
que nasce quando uma simples mensagem
consegue melhorar um dia inteiro.

Da vontade de partilhar
as pequenas vitórias,
os medos,
os sonhos,
e até os silêncios.

Porque há pessoas
que não entram na nossa vida para a completar.

Entram para lhe dar um novo significado.

E, quando isso acontece,
o coração deixa de procurar respostas.

Limita-se a agradecer,
em silêncio,
por ter encontrado alguém
que transformou o verbo existir
na mais bonita forma de viver.

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