Passei a vida
a contar os dias,
como se o tempo
pudesse explicar tudo.
Corri atrás de objetivos,
de certezas,
de respostas
que nunca chegaram exatamente
como as imaginei.
Aprendi cedo
que nem todos os esforços
trazem a recompensa esperada.
Que há portas
que permanecem fechadas,
por mais força
que lhes dediquemos.
E, durante algum tempo,
isso pareceu derrotar-me.
Mas um dia percebi
que a vida não se mede apenas
pelas metas alcançadas.
Mede-se pelas pessoas
que mudaram o nosso caminho,
pelos sorrisos que provocámos,
pelas mãos que segurámos
quando alguém mais precisava.
Porque, no fim,
os relógios param.
As listas desaparecem.
As vitórias tornam-se lembranças.
E aquilo que parecia tão urgente
perde importância.
O que permanece
não são os dias difíceis.
É a coragem
de nunca deixarmos de acreditar.
É a capacidade
de recomeçar
mesmo depois de todas as quedas.
É encontrar alguém
que nos recorda
que ainda vale a pena sonhar,
quando já quase nos tínhamos esquecido.
Talvez o tempo
leve muitas coisas.
Mas nunca conseguirá levar
aquilo que vivemos com verdade.
Porque algumas marcas
não pertencem ao passado.
Transformam-se na força silenciosa
que nos acompanha
em todos os dias
que ainda estão por chegar.

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