Há dias em que a mente
constrói tempestades
com nuvens que só ela consegue ver.
Faz perguntas sem resposta,
desenha medos no escuro
e convence o coração
de que é mais seguro desistir.
Mas, de repente,
surge a lembrança do teu sorriso.
E todo esse ruído
perde força.
Como se uma única presença
fosse capaz de abrir uma janela
num quarto fechado há demasiado tempo.
Não lutas contra as minhas sombras.
Apenas acendes uma luz.
E isso basta.
Porque há batalhas
que não se vencem com palavras,
mas com a certeza tranquila
de que alguém continua ali,
mesmo quando o mundo parece distante.
Quando penso em ti,
os receios deixam de comandar o caminho.
O futuro deixa de assustar.
E descubro que a coragem
nem sempre faz barulho.
Às vezes,
tem apenas a forma
de um nome repetido em silêncio,
de uma memória que sorri,
ou da esperança serena
de voltar a encontrar o teu olhar.
Se algum dia me perder
no labirinto dos meus próprios pensamentos,
não procures convencer-me.
Estende apenas a tua mão.
Porque há corações
que encontram o caminho de volta
não por deixarem de ter medo,
mas porque descobrem
que existe alguém
que faz qualquer tempestade
parecer apenas chuva passageira.

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