segunda-feira, julho 06, 2026

Entre o Silêncio e o Horizonte

 

Passei a vida inteira

de mãos dadas com o silêncio.

Nunca lhe pedi que partisse,

nem ele me exigiu companhia.

Aprendi a conversar com o vento,

a rir das minhas próprias distrações,

a encontrar abrigo

no som discreto da chuva.

Não me faltava nada...

até ao dia em que um sorriso

abriu uma janela

numa casa onde eu já tinha fechado todas as portas.

Desde então,

o horizonte ficou mais bonito,

mas também mais distante.

Há pessoas que chegam

sem fazer barulho

e transformam para sempre

a paisagem de quem as vê.

Nunca lhes pertencemos.

São como estrelas refletidas num lago:

parecem estar ao alcance da mão,

mas vivem noutro céu.

Ainda assim,

não me arrependo de as contemplar.

Há uma beleza serena

em desejar o impossível

sem lhe arrancar as asas.

Continuo a caminhar sozinho,

como sempre caminhei.

Não por derrota,

nem por resignação.

Apenas porque algumas presenças

não nasceram para ser abrigo,

mas para recordar

que até o coração mais tranquilo

é capaz de encontrar um infinito

num simples olhar.

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