Disseram-me
que o tempo cura tudo.
Que as memórias desvanecem,
que os sentimentos aprendem a partir,
e que o coração acaba sempre
por encontrar um novo caminho.
Talvez seja verdade.
Mas há exceções
que ninguém ensina.
Há pessoas
que não ficam presas ao passado.
Ficam gravadas na forma
como olhamos o presente.
Não ocupam o pensamento a toda a hora.
Habitam, serenamente,
os lugares mais profundos da alma.
Não preciso de fechar os olhos
para te encontrar.
Estás na música
que me faz sorrir sem razão.
No céu que ganho vontade de fotografar.
Nas palavras que escrevo
quando o silêncio pede companhia.
Passei a vida inteira
a caminhar bem comigo.
Aprendi a não depender de ninguém
para encontrar paz.
E talvez por isso
nunca imaginei
que alguém pudesse acrescentar tanto
a uma vida que já me parecia completa.
Não quero prender-te.
Nem pedir-te promessas.
Os sentimentos mais bonitos
não sobrevivem por obrigação.
Vivem porque são livres.
E, se um dia os nossos caminhos
se afastarem,
espero apenas que a vida seja gentil contigo.
Que encontres motivos para sorrir.
Que realizes os teus sonhos.
Porque, de todas as coisas
que o coração pode desejar,
há uma que nunca muda:
a felicidade de quem ocupa
um lugar especial dentro dele.
Talvez um dia o tempo leve
as palavras.
Talvez apague fotografias,
datas e distâncias.
Mas nunca conseguirá apagar
a gratidão imensa
por um dia ter conhecido alguém
que me ensinou
que alguns sentimentos
não precisam de ser eternos
para serem inesquecíveis.

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