que acontecem sem aviso.
Um olhar cruza outro,
um sorriso demora mais um segundo,
e, sem sabermos como,
a vida muda de compasso.
Não foi o destino que me convenceu.
Foi a forma como o tempo
parecia desacelerar
sempre que estavas por perto.
Descobri que a felicidade
não vive apenas nos grandes momentos.
Esconde-se nos gestos mais simples:
num "bom dia" inesperado,
numa gargalhada partilhada,
num silêncio confortável
ou na vontade de contar primeiro a alguém
como correu o dia.
É estranho...
Passei tanto tempo
a acreditar que caminhava completo,
até perceber que algumas pessoas
não chegam para preencher um vazio.
Chegam para ampliar aquilo
que já existia.
Contigo aprendi
que o carinho não precisa de espetáculo.
Basta constância.
Basta verdade.
Basta a alegria de saber
que, algures, existe alguém
que sorri ao lembrar-se de nós.
Não sei o que o futuro guarda.
Nem preciso de saber.
Porque há sentimentos
que não vivem de certezas.
Vivem da vontade diária
de escolher a mesma pessoa
uma e outra vez.
E, se um dia me perguntarem
o que faz dois corações caminharem na mesma direção,
responderei apenas:
Não são as grandes promessas.
São os pequenos gestos repetidos com sinceridade,
até que um dia deixam de ser gestos...
e passam a ser casa.

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