Há distâncias
que se contam em quilómetros.
Outras...
contam-se em saudades.
O mundo continua a girar,
os dias sucedem-se uns aos outros,
e cada amanhecer traz novos caminhos.
Mesmo assim,
há uma direção
para onde o meu pensamento regressa sempre.
Não porque precise.
Mas porque quer.
Há pessoas
que transformam a ausência
numa presença constante.
Basta uma memória,
uma fotografia,
uma música,
ou uma simples palavra.
E, de repente,
parece que nunca estiveram longe.
Nunca prometi
que seria perfeito.
A vida nunca o foi.
Traz dias cansativos,
silêncios inesperados,
desencontros,
e momentos em que tudo parece demasiado difícil.
Mas há uma coisa
que nunca aprendeu a mudar:
a vontade tranquila
de continuar a escolher-te.
Mesmo quando o relógio insiste
em correr mais depressa do que nós.
Mesmo quando o mundo
parece querer empurrar-nos
para direções diferentes.
Porque alguns sentimentos
não vivem da proximidade.
Vivem da constância.
Vivem da confiança
que nasce quando dois corações
aprendem que amar
é muito mais do que estar presente.
É permanecer.
É continuar a guardar um lugar
para alguém,
mesmo quando esse lugar
está vazio por algum tempo.
É acreditar
que a distância nunca será maior
do que aquilo que nos une.
E, quando finalmente
os nossos caminhos voltarem a cruzar-se,
não precisaremos de explicar nada.
Bastará um olhar.
Porque há reencontros
que começam muito antes do abraço.
Começam no instante
em que dois corações decidem,
todos os dias,
continuar a caminhar
na mesma direção.

Sem comentários:
Enviar um comentário