Há dias em que o mundo continua igual.
O sol nasce,
as ruas enchem-se de gente,
os relógios cumprem o seu trabalho.
Mas falta qualquer coisa.
Não é um vazio.
É uma presença
que aprendeu a existir
mesmo quando está longe.
Dou por mim
a querer contar-te coisas pequenas.
Uma nuvem com uma forma estranha.
Uma música que me fez sorrir.
Um poema acabado de nascer.
E só depois me lembro
que o silêncio
também pode responder.
Nunca pensei
que alguém pudesse fazer tanta falta
sem nunca deixar de habitar o coração.
Porque a distância
não leva aquilo
que realmente encontrou casa.
Há noites
em que fecho os olhos
e quase consigo ouvir
a tua gargalhada.
Não como uma lembrança.
Mas como uma promessa
de que os momentos verdadeiros
não desaparecem.
Transformam-se.
Continuo a caminhar.
Continuo a sorrir.
Continuo a acreditar
que a vida sabe surpreender
quem não desiste de sentir.
E, mesmo quando a saudade
se senta ao meu lado,
não lhe peço que vá embora.
Ela lembra-me
que houve alguém
capaz de mudar
a forma como o meu coração
olhava para o mundo.
Se um dia voltares,
encontrar-me-ás
com o mesmo olhar sereno
e a mesma vontade
de construir novos sorrisos.
Se não voltares,
ficará sempre em mim
a certeza tranquila
de que algumas pessoas
não são feitas
para serem esquecidas.
São feitas
para nos ensinarem
que até a ausência
pode guardar
uma forma muito bonita
de continuar a amar.

Sem comentários:
Enviar um comentário