segunda-feira, julho 20, 2026

Entre a Saudade e a Esperança


Há dias em que o mundo continua igual.

O sol nasce,
as ruas enchem-se de gente,
os relógios cumprem o seu trabalho.

Mas falta qualquer coisa.

Não é um vazio.

É uma presença
que aprendeu a existir
mesmo quando está longe.

Dou por mim
a querer contar-te coisas pequenas.

Uma nuvem com uma forma estranha.

Uma música que me fez sorrir.

Um poema acabado de nascer.

E só depois me lembro
que o silêncio
também pode responder.

Nunca pensei
que alguém pudesse fazer tanta falta
sem nunca deixar de habitar o coração.

Porque a distância
não leva aquilo
que realmente encontrou casa.

Há noites
em que fecho os olhos
e quase consigo ouvir
a tua gargalhada.

Não como uma lembrança.

Mas como uma promessa
de que os momentos verdadeiros
não desaparecem.

Transformam-se.

Continuo a caminhar.

Continuo a sorrir.

Continuo a acreditar
que a vida sabe surpreender
quem não desiste de sentir.

E, mesmo quando a saudade
se senta ao meu lado,
não lhe peço que vá embora.

Ela lembra-me
que houve alguém
capaz de mudar
a forma como o meu coração
olhava para o mundo.

Se um dia voltares,
encontrar-me-ás
com o mesmo olhar sereno
e a mesma vontade
de construir novos sorrisos.

Se não voltares,
ficará sempre em mim
a certeza tranquila
de que algumas pessoas
não são feitas
para serem esquecidas.

São feitas
para nos ensinarem
que até a ausência
pode guardar
uma forma muito bonita
de continuar a amar.

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