Passámos tanto tempo
a decorar papéis
que esquecemos o som
da nossa própria voz.
Sorrimos onde doía.
Calámo-nos
quando o coração gritava.
E chamámos força
ao hábito de esconder
tudo aquilo que nos tornava humanos.
Há um momento, porém,
em que nenhuma máscara resiste.
O silêncio pesa.
O olhar denuncia.
E a verdade encontra sempre
uma pequena fenda
por onde consegue respirar.
Foi aí que percebi
que as maiores batalhas
nunca aconteceram lá fora.
Aconteceram dentro de mim.
Entre aquilo que mostrava ao mundo
e aquilo que sempre fui.
É estranho...
Passamos a vida
com medo de sermos rejeitados,
quando, afinal,
o maior abandono
é aquele que fazemos
de nós próprios.
Talvez não exista um final perfeito.
Talvez algumas histórias
tenham sido feitas
apenas para nos ensinar.
Mas, quando o último disfarce cai,
fica apenas o essencial:
um coração cansado,
algumas cicatrizes,
e uma coragem nova,
a de nunca mais trocar
a verdade
pela aparência.
Porque há derrotas
que nos devolvem a liberdade.
E há despedidas
que marcam o verdadeiro começo
de quem finalmente
aprendeu a viver
sem máscaras.

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