Há instantes
que parecem emprestados ao tempo.
Um olhar que demora um segundo a mais,
uma mão que quase toca outra,
um silêncio onde cabem
todas as palavras que ainda não nasceram.
Não peço promessas.
As promessas assustam quem já viu
o futuro mudar de direção.
Prefiro este momento,
imperfeito e verdadeiro,
onde o coração fala baixo
e ninguém precisa de fingir.
Se pudesse,
parava o relógio
entre um sorriso teu
e o instante em que os meus olhos
te encontram.
Não para fugir ao amanhã,
mas para dar ao presente
o tempo que ele merece.
Há uma paz rara
em não precisar de ser outra pessoa.
Em baixar as defesas,
esquecer o peso do mundo
e deixar que a alma respire.
Talvez seja isso
que torna alguns encontros inesquecíveis.
Não a certeza do que virá,
mas a coragem de viver
aquilo que existe agora.
Porque a vida muda depressa.
As estações passam,
as cidades afastam-se,
as pessoas seguem caminhos diferentes.
Mas há momentos
que continuam vivos
muito depois de terem terminado.
E, quando a noite cair
e o mundo voltar a fazer perguntas,
quero recordar apenas isto:
Que houve um instante
em que nada precisou de ser explicado.
Bastou estarmos ali.
E, por um breve momento,
o universo pareceu exatamente
o lugar onde devíamos estar.

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