Passei anos
a fazer da solidão
um lugar seguro.
Conhecia-lhe os caminhos,
os silêncios,
as noites tranquilas
e os amanheceres sem expectativas.
Era uma vida serena.
Sem grandes riscos.
Sem grandes quedas.
Mas também
sem aqueles instantes
capazes de mudar
o significado de um único dia.
Depois chegaste.
E, sem me pedires nada,
obrigaste-me a fazer
a única pergunta
que sempre evitei:
Será que viver protegido
é realmente viver?
Descobri que o coração
não foi feito
para permanecer fechado.
Foi feito
para aprender a confiar,
mesmo sabendo
que um dia poderá partir-se.
Porque há uma diferença enorme
entre estar sozinho
e nunca permitir
que alguém nos encontre.
Hoje já não tenho medo
de sentir.
Se a felicidade durar um instante,
que seja um instante verdadeiro.
Se durar uma vida,
melhor ainda.
Não procuro certezas.
Procuro autenticidade.
Prefiro um olhar sincero
a mil promessas vazias.
Prefiro um abraço silencioso
a palavras que o vento leva.
E, se um dia
o destino voltar a colocar
os nossos caminhos lado a lado,
não te prometerei
uma história perfeita.
Prometerei apenas
que nunca esconderei
aquilo que és para mim.
Porque a maior coragem
não está em viver
sem depender de ninguém.
Está em descobrir
que alguém consegue transformar
uma solidão tranquila
num lugar
onde finalmente
faz sentido permanecer a dois.

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