Passei tanto tempo
a acreditar que bastava esperar.
Que os dias encontrariam o seu lugar,
que os caminhos acabariam por se tocar
e que o silêncio, um dia,
se transformaria em resposta.
Mas há distâncias
que não se medem em quilómetros.
Vivem nas dúvidas,
nos medos que ninguém confessa,
nas palavras que ficam presas
antes de chegarem aos lábios.
Por vezes estamos tão perto
que quase conseguimos tocar o futuro.
E, ainda assim,
há qualquer coisa invisível
que nos impede de dar o último passo.
Não é falta de vontade.
É a vida,
com os seus tempos imperfeitos,
as suas cicatrizes
e as suas perguntas sem resposta.
Mesmo assim,
não me arrependo de ter sentido.
Há pessoas que entram em nós
sem pedir licença
e deixam uma luz acesa
mesmo quando decidem partir.
Talvez nunca exista o momento perfeito.
Talvez o destino
não seja um lugar onde chegamos,
mas aquilo que levamos connosco
depois de cada encontro.
Se um dia os nossos caminhos
voltarem a cruzar-se,
não quero promessas.
Quero apenas um olhar sincero,
livre de receios,
capaz de dizer, sem palavras,
que tudo o que foi vivido
teve realmente sentido.
E, se esse dia nunca chegar,
continuarei a caminhar.
Porque algumas pessoas
não ficam para completar a nossa história.
Ficam para nos ensinar
que o coração pode continuar a bater
mesmo quando aprende
a viver com um "quase".

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