Há noites que parecem
ter sido feitas
para esquecer o relógio.
Aquelas em que o mundo
fica lá fora,
e tudo o que importa
é o instante
que estamos a viver.
Se eu pudesse escolher,
guardava uma noite contigo.
Sem pressa.
Sem perguntas.
Sem pensar no amanhã.
Apenas nós,
a rir de coisas sem importância,
a trocar olhares
que dizem muito mais
do que qualquer palavra.
Queria perder-me
nas tuas conversas,
na maneira como sorris,
naquela proximidade
que faz o coração
esquecer por alguns segundos
tudo o que existe à volta.
Talvez fosse só uma noite.
Mas há noites
que conseguem ficar
para uma vida inteira.
E eu sei que, contigo,
não precisaria de grandes planos.
Bastava uma música,
uma janela aberta,
a cidade iluminada lá fora
e o teu corpo perto do meu.
O resto podia esperar.
Queria sentir aquele momento
sem medo de que acabasse.
Porque às vezes
a felicidade não precisa
de promessas eternas.
Precisa apenas
de alguém que queira ficar
mais um pouco.
E eu ficaria.
Mesmo depois de a música terminar.
Mesmo quando a madrugada
começasse a nascer
por detrás das janelas.
Ficaria mais alguns minutos,
só para prolongar
a sensação de te ter perto.
Talvez te dissesse
que não quero que esta noite termine.
Talvez não dissesse nada.
Talvez apenas
te olhasse,
porque há momentos
em que falar
é estragar aquilo
que o silêncio está a dizer.
E se amanhã
tudo voltasse ao normal,
se cada um tivesse
de regressar à sua vida,
eu levaria comigo
esta noite.
O teu sorriso.
O teu olhar.
A tua presença.
A sensação de que,
por algumas horas,
o mundo inteiro
coube entre nós.
Por isso,
se me perguntasses
o que eu queria,
não pediria para sempre.
Pediria apenas
mais uma noite.
Uma noite sem medo,
sem distância,
sem passado,
sem futuro.
Só tu e eu,
a viver o presente
como se o tempo
tivesse finalmente aprendido
a parar.
E talvez,
quando o dia chegasse,
eu percebesse
que não precisava
de mais nada.
Porque algumas noites
não são apenas noites.
São aqueles raros momentos
em que a vida
nos lembra
como é bom
sentir.

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