Há dias
em que tudo parece demasiado.
O mundo continua a girar,
as pessoas continuam a sorrir,
os relógios continuam a avançar,
mas dentro de mim
há qualquer coisa
que simplesmente não consegue acompanhar.
Há momentos
em que me sinto cansado
de fingir que sou forte.
De dizer que está tudo bem
quando, na verdade,
só queria encontrar
um lugar onde pudesse
baixar a guarda.
Também eu sinto.
Também eu me perco.
Também eu tenho dias
em que não sei
para onde levar aquilo
que trago dentro do peito.
Aprendi a esconder
muitas coisas atrás de um sorriso.
Talvez porque sempre achei
que mostrar a dor
era mostrar fraqueza.
Hoje sei que não é.
Há uma coragem silenciosa
em admitir:
“Hoje não estou bem.”
E não há vergonha nenhuma
em precisar de parar.
Em respirar.
Em chorar.
Em pedir um abraço
sem conseguir explicar
porquê.
Todos carregamos
batalhas que ninguém vê.
Há pessoas que sorriem
enquanto lutam contra tempestades
que nunca chegam
a contar a ninguém.
Eu também tenho as minhas.
Algumas deixaram cicatrizes.
Outras ainda doem.
Mas aprendi
que uma noite difícil
não significa que a vida
será sempre escura.
Há manhãs
que chegam devagar.
Há pequenas coisas
que conseguem devolver
um pouco de luz.
Uma palavra.
Um abraço.
Um olhar.
A presença de alguém
que fica
quando seria mais fácil partir.
E talvez seja isso
que mais precisamos
nos momentos difíceis:
não de alguém
que tenha todas as respostas,
mas de alguém
que simplesmente diga:
“Estou aqui.”
Por isso,
quando eu próprio me sentir perdido,
vou tentar lembrar-me
de que não preciso
de resolver tudo hoje.
Posso avançar devagar.
Posso descansar.
Posso recomeçar
quantas vezes forem necessárias.
Porque a dor passa por fases.
A saudade muda de forma.
As feridas aprendem
a fechar.
E aquilo que hoje parece
impossível de suportar
pode, um dia,
tornar-se apenas
uma memória de uma batalha
que consegui atravessar.
Também eu sinto.
Também eu sofro.
Mas também eu continuo.
E enquanto houver
um pequeno espaço
para a esperança,
uma razão para acordar,
um abraço para receber,
um coração para amar,
eu vou continuar
a escolher a vida.
Mesmo nos dias difíceis.
Mesmo quando não tenho respostas.
Mesmo quando a luz
parece demasiado distante.
Porque aprendi
que não é preciso
ser forte o tempo inteiro.
Às vezes,
ser forte
é simplesmente
não desistir
de chegar
ao próximo amanhecer.

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