Havia um tempo em que tudo era possível,
em que o mundo parecia não ter fim,
e cada sonho era uma aventura,
uma história à espera de acontecer.
Corríamos atrás do impossível,
sem medo de cair ou de tentar,
inventávamos futuros no silêncio
e acreditávamos que podíamos voar.
O tempo passou,
levou algumas certezas pelo caminho,
mudou os nossos planos,
mas não conseguiu apagar
aquilo que fomos um dia.
Porque ainda existe dentro de nós
essa vontade de descobrir,
de rir sem motivo,
de viver sem calcular
cada passo antes de seguir.
Talvez crescer seja isso:
aprender a caminhar com mais cuidado
sem deixar morrer a parte de nós
que ainda acredita no inesperado.
E quando a vida parecer séria demais,
quando os dias perderem a cor,
talvez baste recordar
quem éramos antes de aprender
a ter medo dos sonhos.
Porque os anos podem mudar-nos,
mas há coisas que permanecem:
a esperança de recomeçar,
a vontade de sentir,
e aquela pequena voz dentro de nós
que ainda diz:
“Vamos descobrir o que existe
do outro lado do amanhã.”

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