Há dias em que sinto
que preciso de qualquer coisa
que me faça esquecer
a monotonia dos dias iguais.
Não procuro uma fuga.
Procuro uma sensação
que me acorde por dentro,
que faça o coração acelerar
e me devolva aquela vontade
de viver sem pensar demasiado.
Preciso de algo
que não tenha efeitos secundários,
que não me roube a lucidez,
mas que consiga transformar
um dia comum
num momento impossível de esquecer.
E então apareces tu.
Com esse sorriso
que desarma as minhas defesas,
com esse olhar
que parece saber exatamente
onde tocar
sem sequer me tocar.
Talvez sejas tu
aquilo que eu procurava
sem saber que procurava.
Não uma cura
para aquilo que me falta,
mas uma razão
para deixar de procurar.
Porque contigo
não preciso de esquecer o mundo.
Quero senti-lo.
Quero rir mais alto,
ficar acordado até tarde,
inventar planos sem sentido,
perder-me em conversas
que nunca queremos terminar.
Quero aquela vertigem
que começa num olhar
e termina num sorriso.
Quero a tua presença
nos meus dias bons
e nos dias em que tudo pesa.
Quero sentir
que ainda existe dentro de mim
uma parte capaz de se surpreender,
de desejar,
de sonhar
e de se apaixonar.
E se o amor tem mesmo
alguma espécie de loucura,
então talvez eu não queira
ser curado.
Quero apenas
continuar a sentir
esta coisa estranha e bonita
que acontece quando penso em ti.
Porque há pessoas
que nos fazem perder o equilíbrio.
E há pessoas
que nos fazem perceber
que nunca estivemos
tão vivos.
Tu és assim.
Não preciso de outra coisa.
Preciso apenas
desse instante em que apareces,
desse sorriso que fica comigo
mesmo depois de partires,
e dessa sensação
de que, por alguns momentos,
o mundo inteiro
fica exatamente
onde devia estar.
E talvez seja isso
que eu sempre procurei:
não algo que me faça
esquecer a vida,
mas alguém
que me faça
querer vivê-la
com muito mais intensidade.

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