quinta-feira, setembro 10, 2026

Já Não Quero Ser Quem Esperavam

Durante demasiado tempo
tentei caber
na imagem que criaram de mim.

Aprendi a sorrir
quando queria gritar,
a concordar
quando tudo dentro de mim
pedia para dizer não.

Fui-me tornando
aquilo que esperavam,

até quase esquecer
quem eu era
antes de começar
a tentar agradar.

Cada expectativa
era mais um peso.

Cada comparação,
mais uma dúvida.

E, pouco a pouco,
comecei a olhar para mim
como se nunca fosse suficiente.

Mas ninguém consegue
viver eternamente
contra a própria essência.

Há um momento
em que o coração se cansa
de fingir.

Um instante
em que todas as vozes exteriores
perdem força
e conseguimos finalmente
ouvir a nossa.

Foi nesse silêncio
que me encontrei.

Não sou perfeito.

Nunca fui.

Tenho medos,
tenho falhas,
tenho cicatrizes
que ainda doem
quando certas memórias regressam.

Mas sou eu.

E, pela primeira vez,
isso basta.

Já não quero viver
para corresponder
ao sonho de outra pessoa.

Não quero vestir
uma versão de mim
que não reconheço
quando me olho ao espelho.

Quero errar
sem sentir vergonha.

Quero sentir
sem pedir desculpa.

Quero amar
sem esconder o coração.

Quero ser inteiro,
mesmo que a minha verdade
tenha imperfeições.

Porque talvez crescer
seja precisamente isto:

deixar de tentar
ser aquilo que esperam de nós
e começar a descobrir
aquilo que realmente somos.

E se alguém não compreender,

que compreenda o tempo.

Eu já passei demasiado tempo
a abandonar-me
para que os outros
pudessem sentir-se confortáveis.

Agora escolho ficar.

Ficar comigo.

Com a minha verdade.

Com tudo aquilo
que durante tanto tempo
tentei esconder.

E, finalmente,
voltar a sentir
não como alguém
que precisa de ser aceite,

mas como alguém
que aprendeu

que não precisa
de deixar de ser quem é

para merecer

ser amado.

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