sexta-feira, setembro 11, 2026

As Asas Que Escolhi


Há palavras
que ficam dentro de nós
muito depois de serem ditas.

Frases que se tornam paredes,
olhares que se transformam em espelhos,
e expectativas
que nos ensinam a duvidar
daquilo que realmente somos.

Durante demasiado tempo,
tentei ser alguém
que pudesse merecer aprovação.

Procurei respostas
em vozes que nunca compreenderam
as minhas batalhas.

E cada vez que falhava,
sentia que me afastava
mais de mim próprio.

Até perceber
que não nasci
para representar
a história que outros escreveram.

Não sou os erros
que cometeram comigo.

Não sou as palavras
que me fizeram acreditar
que não era suficiente.

Não sou o passado
que tentaram colocar
sobre os meus ombros.

Sou aquilo que escolho fazer
com tudo o que vivi.

Posso carregar cicatrizes
sem permitir que elas
me definam.

Posso lembrar a dor
sem continuar a viver dentro dela.

Posso perdoar
sem voltar a aceitar
aquilo que me destruiu.

E talvez crescer
seja precisamente isto:

ter coragem
de quebrar o silêncio,

de olhar para trás
sem medo,

e dizer:

“Eu não continuarei
a repetir aquilo
que um dia me magoou.”

Porque há heranças
que não precisamos de aceitar.

Há ciclos
que nasceram antes de nós
e que podem terminar
connosco.

E existe uma liberdade
que começa
quando deixamos de procurar
a aprovação de quem nunca soube
ver o nosso verdadeiro valor.

Hoje escolho
ser dono da minha voz.

Escolho construir
uma vida que me pertença.

Não para provar
que alguém estava errado,

mas para finalmente provar a mim mesmo
que sou capaz
de ser diferente.

E se algum dia
alguém olhar para a minha história
e perguntar quem me tornei,

não quero que a resposta
seja encontrada
nas sombras do passado.

Quero que esteja
na pessoa que aprendeu
a amar sem medo,

a perdoar sem se perder,

a levantar-se sem vergonha

e a caminhar pela vida
sem carregar
o peso de ser aquilo
que nunca quis ser.

Porque o passado
pode explicar as minhas raízes,

mas nunca terá o direito
de decidir

até onde

as minhas asas

podem voar.

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