Há palavras
que ficam dentro de nós
muito depois de serem ditas.
Frases que se tornam paredes,
olhares que se transformam em espelhos,
e expectativas
que nos ensinam a duvidar
daquilo que realmente somos.
Durante demasiado tempo,
tentei ser alguém
que pudesse merecer aprovação.
Procurei respostas
em vozes que nunca compreenderam
as minhas batalhas.
E cada vez que falhava,
sentia que me afastava
mais de mim próprio.
Até perceber
que não nasci
para representar
a história que outros escreveram.
Não sou os erros
que cometeram comigo.
Não sou as palavras
que me fizeram acreditar
que não era suficiente.
Não sou o passado
que tentaram colocar
sobre os meus ombros.
Sou aquilo que escolho fazer
com tudo o que vivi.
Posso carregar cicatrizes
sem permitir que elas
me definam.
Posso lembrar a dor
sem continuar a viver dentro dela.
Posso perdoar
sem voltar a aceitar
aquilo que me destruiu.
E talvez crescer
seja precisamente isto:
ter coragem
de quebrar o silêncio,
de olhar para trás
sem medo,
e dizer:
“Eu não continuarei
a repetir aquilo
que um dia me magoou.”
Porque há heranças
que não precisamos de aceitar.
Há ciclos
que nasceram antes de nós
e que podem terminar
connosco.
E existe uma liberdade
que começa
quando deixamos de procurar
a aprovação de quem nunca soube
ver o nosso verdadeiro valor.
Hoje escolho
ser dono da minha voz.
Escolho construir
uma vida que me pertença.
Não para provar
que alguém estava errado,
mas para finalmente provar a mim mesmo
que sou capaz
de ser diferente.
E se algum dia
alguém olhar para a minha história
e perguntar quem me tornei,
não quero que a resposta
seja encontrada
nas sombras do passado.
Quero que esteja
na pessoa que aprendeu
a amar sem medo,
a perdoar sem se perder,
a levantar-se sem vergonha
e a caminhar pela vida
sem carregar
o peso de ser aquilo
que nunca quis ser.
Porque o passado
pode explicar as minhas raízes,
mas nunca terá o direito
de decidir
até onde
as minhas asas
podem voar.

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