Eu acredito que o amor
se parece muito com uma planta.
Não basta plantá-lo
e esperar que cresça sozinho.
É preciso cuidar.
Dar-lhe tempo.
Aproximar-se todos os dias
e perceber quando as suas folhas
começam a perder a cor.
Porque também o amor
tem sede.
Sede de palavras.
De atenção.
De pequenos gestos
que parecem insignificantes,
mas dizem:
“Estou aqui.”
Eu sei que a vida
nem sempre deixa espaço
para cuidar de tudo.
Há dias cansados.
Há preocupações.
Há silêncios que se prolongam
mais do que deviam.
Mas aprendi
que aquilo que amamos
não pode viver eternamente
daquilo que demos no passado.
Uma planta não sobrevive
porque foi regada ontem.
E um amor também não.
Precisa de presença.
Precisa de carinho.
Precisa daquela vontade
de continuar a escolher
a mesma pessoa
mesmo depois de o encanto inicial
se transformar em rotina.
Eu não quero um amor
que sobreviva por obrigação.
Quero um amor
que seja cuidado
porque ainda existe vontade
de o ver florescer.
Quero perguntar:
“Como estás?”
E realmente querer saber.
Quero ouvir
mesmo quando as palavras
são difíceis.
Quero abraçar
quando não houver respostas.
Quero estar presente
não apenas quando tudo
é bonito e fácil,
mas também quando houver
folhas caídas
e dias sem sol.
Porque sei que o amor
não morre apenas
por causa de uma grande tempestade.
Às vezes morre devagar,
num copo de água
que nunca chega,
num abraço adiado,
num “depois falamos”
que se transforma
em distância.
E eu não quero isso.
Se algum dia
as folhas do nosso amor
começarem a baixar,
quero perceber.
Quero aproximar-me.
Quero regar.
Quero cuidar.
Quero lembrar-me
de que amar alguém
não é apenas sentir.
É também fazer.
Todos os dias.
Mesmo nos pequenos detalhes.
Mesmo quando ninguém vê.
Porque uma flor pode ser linda
quando começa a abrir,
mas é o cuidado constante
que a mantém viva.
E eu quero ser esse cuidado.
Não quero prometer
que nunca haverá dias difíceis.
Quero prometer
que, quando chegarem,
não vou simplesmente
virar as costas.
Vou ficar.
Vou tentar.
Vou procurar a água
quando a terra estiver seca.
Vou procurar a luz
quando tudo parecer escuro.
Porque, para mim,
amar é isto:
não deixar morrer
aquilo que um dia
nos fez florescer.
E se depender de mim,
vou continuar a regar
o nosso amor,
até que as raízes
se tornem tão profundas
que nem o vento,
nem a distância,
nem os dias difíceis
consigam arrancá-lo
do lugar onde escolhi
plantá-lo:
dentro de mim.

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