domingo, outubro 04, 2026

Que Tempo Foi Este


Há pessoas que chegam
sem avisar que vão ficar,
e momentos que começam
sem sabermos que um dia
iremos sentir saudades deles.

Contigo foi assim.

Não houve grandes promessas,
nem certezas escritas no futuro.
Houve apenas nós,
alguns risos,
alguns silêncios
e aquele estranho sentimento
de que, por um instante,
o mundo tinha parado.

Ainda me lembro
de como era fácil esquecer as horas,
de como uma conversa podia durar
mais do que a noite,
e de como a tua presença
conseguia tornar especial
um momento que, sozinho,
seria apenas mais um.

Talvez seja isso
que torna certas histórias
tão difíceis de deixar para trás:

não é apenas a pessoa
que nos faz falta.

É quem éramos
quando estávamos com ela.

Hoje, quando penso em nós,
não sei se sinto saudade
ou apenas gratidão
por ter vivido aquilo.

Talvez um pouco dos dois.

Porque houve coisas bonitas
que não precisaram de durar para sempre
para serem verdadeiras.

Houve um tempo
em que fomos exatamente
aquilo de que precisávamos.

E mesmo que a vida tenha seguido,
mesmo que os caminhos tenham mudado,
há memórias que continuam
a aparecer de vez em quando,
como uma música antiga
que ainda sabemos cantar.

E eu pergunto-me:

que tempo foi este?

Como conseguimos ser tão próximos
e, depois, tão distantes?

Como pode alguém
ocupar tanto espaço dentro de nós
e, um dia,
passar a viver apenas
numa memória?

Não tenho respostas.

E talvez já não precise delas.

Prefiro guardar o que foi bonito
sem transformar o passado
num lugar onde preciso de voltar.

Porque algumas pessoas
não entram na nossa vida
para ficar.

Entram para nos ensinar
que somos capazes de sentir,
de confiar,
de rir sem pensar no amanhã
e de viver momentos
que, mesmo breves,
podem permanecer conosco
durante muitos anos.

E se algum dia
me perguntarem por ti,
talvez eu sorria.

Não porque tenha esquecido.

Mas porque, apesar de tudo,
posso olhar para trás
e dizer baixinho:

que tempo bonito foi este
enquanto durou.

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