Nunca percebi muito bem
como funciona o amor.
Chega quando não estamos preparados,
fica quando pensamos que já aprendemos,
e desaparece justamente
quando começamos a acreditar
que finalmente sabemos o que fazer.
É estranho.
Às vezes, quero estar perto,
mesmo quando preciso de espaço.
Quero ouvir a tua voz
e, ao mesmo tempo,
tenho medo daquilo que ela pode despertar em mim.
Quero dizer-te tudo,
mas há sentimentos
que parecem maiores do que as palavras.
E então fico calado.
Não porque não sinta.
Talvez porque sinto demasiado.
O amor tem destas coisas.
Faz-me procurar alguém
mesmo quando digo que estou bem sozinho.
Faz-me sorrir para o telemóvel
por causa de uma simples mensagem.
Faz-me reparar em pequenos gestos
que provavelmente nem percebeste que fizeste.
E também me assusta.
Porque quando alguém passa a importar,
passamos a ter alguma coisa a perder.
E eu já perdi.
Talvez por isso
às vezes tente controlar aquilo
que não pode ser controlado.
Tento perceber o que sentes,
o que pensas,
onde isto vai chegar.
Como se o coração
fosse uma equação
que pudesse resolver.
Mas não é.
O amor não explica.
Não avisa.
Não segue regras.
É rir quando devia estar sério,
sentir saudades antes da despedida,
querer fugir e ficar ao mesmo tempo,
ter medo de cair
e ainda assim aproximar-me.
É olhar para alguém
e perceber que, de alguma forma,
essa pessoa começou a fazer parte
dos meus pensamentos,
dos meus planos,
dos meus dias.
Sem pedir licença.
E talvez seja isso
que o torna tão estranho.
O amor não precisa de fazer sentido
para ser verdadeiro.
Talvez eu nunca aprenda
a gostar da maneira certa.
Talvez continue a ter medo,
a duvidar,
a pensar demais
e a complicar aquilo
que podia ser simples.
Mas hoje sei uma coisa:
prefiro sentir esta confusão
a voltar a ser indiferente.
Porque, apesar de todas as contradições,
de todas as dúvidas
e de todas as vezes
em que o coração me assusta,
ainda quero amar.
Ainda quero encontrar alguém
com quem possa ser eu,
sem máscaras,
sem jogos,
sem precisar de fingir
que não me importo.
Porque talvez o amor seja mesmo isto:
uma coisa estranha,
imprevisível,
por vezes assustadora...
mas tão bonita
que, mesmo depois de tudo,
ainda me faz querer tentar.

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