terça-feira, fevereiro 03, 2009

"O Norte"


Primeiro, as verdades.
O Norte é mais Português que Portugal.
As minhotas são as raparigas mais bonitas do País.
O Minho é a nossa província mais estragada e continua a ser a mais bela.
As festas da Nossa Senhora da Agonia são as maiores e mais impressionantes que já se viram.
Viana do Castelo é uma cidade clara. Não esconde nada. Não há uma Viana secreta. Não há outra Viana do lado de lá. Em Viana do Castelo está tudo à vista. A luz mostra tudo o que há para ver. É uma cidade verde-branca.
Verde-rio e verde-mar, mas branca. Em Agosto até o verde mais escuro, que se vê nas árvores antigas do Monte de Santa Luzia, parece tornar-se branco ao olhar. Até o granito das casas.

Mais verdades.

No Norte a comida é melhor.
O vinho é melhor.
O serviço é melhor.
Os preços são mais baixos.
Não é difícil entrar ao calhas numa taberna, comer muito bem e pagar uma ninharia.
Estas são as verdades do Norte de Portugal.
Mas há uma verdade maior.
É que só o Norte existe. O Sul não existe.
As partes mais bonitas de Portugal, o Alentejo, os Açores, a Madeira, Lisboa, et caetera, existem sozinhas. O Sul é solto. Não se junta.
Não se diz que se é do Sul como se diz que se é do Norte.

No Norte dizem-se e orgulham-se de se dizer nortenhos. Quem é que se identifica como sulista?
No Norte, as pessoas falam mais no Norte do que todos os portugueses juntos falam de Portugal inteiro.

Os nortenhos não falam do Norte como se o Norte fosse um segundo país.
Não haja enganos. Não falam do Norte para separá-lo de Portugal.
Falam do Norte apenas para separá-lo do resto de Portugal.
Para um nortenho, há o Norte e há o Resto. É a soma de um e de outro que constitui Portugal.

Mas o Norte é onde Portugal começa. Depois do Norte, Portugal limita-se a continuar, a correr por ali abaixo.
Deus nos livre, mas se perdesse o resto do país e só ficasse o Norte, Portugal continuaria a existir. Como país inteiro. Pátria mesmo, por muito pequenina. No Norte.
Em contrapartida, sem o Norte, Portugal seria uma mera região da Europa. Mais ou menos peninsular, ou insular. É esta a verdade.
Lisboa é bonita e estranha mas é apenas uma cidade. O Alentejo é especial mas ibérico, a Madeira é encantadora mas inglesa e os Açores são um caso à parte. Em qualquer caso, os lisboetas não falam nem no Centro nem no Sul - falam em Lisboa. Os alentejanos nem sequer falam do Algarve - falam do Alentejo. As ilhas falam em si mesmas e naquela entidade incompreensível a que chamam, qual hipermercado de mil misturadas, Continente. No Norte, Portugal tira de si a sua ideia e ganha corpo. Está muito estragado, mas é um estragado português, semi-arrependido, como quem não quer a coisa.

O Norte cheira a dinheiro e a alecrim.

O asseio não é asséptico - cheira a cunhas, a conhecimentos e a arranjinho. Tem esse defeito e essa verdade.

Em contrapartida, a conservação fantástica de (algum) Alentejo é impecável, porque os alentejanos são mais frios e conservadores (menos portugueses) nessas coisas.

O Norte é feminino.

O Minho é uma menina. Tem a doçura agreste, a timidez insolente da mulher portuguesa. Como um brinco doirado que luz numa orelha pequenina, o Norte dá nas vistas sem se dar por isso.

As raparigas do Norte têm belezas perigosas, olhos verdes impossíveis, daqueles em que os versos, desde o dia em que nascem, se põem a escrever-se sozinhos.

Têm o ar de quem pertence a si própria. Andam de mãos nas ancas. Olham de frente. Pensam em tudo e dizem tudo o que pensam. Confiam, mas não dão confiança. Olho para as raparigas do meu país e acho-as bonitas e honradas, graciosas sem estarem para brincadeiras, bonitas sem serem belas, erguidas pelo nariz, seguras pelo queixo, aprumadas, mas sem vaidade. Acho-as verdadeiras. Acredito nelas. Gosto da vergonha delas, da maneira como coram quando se lhes fala e da maneira como podem puxar de um estalo ou de uma panela, quando se lhes falta ao respeito. Gosto das pequeninas, com o cabelo puxado atrás das orelhas, e das velhas, de carrapito perfeito, que têm os olhos endurecidos de quem passou a vida a cuidar dos outros. Gosto dos brincos, dos sapatos, das saias.
Gosto das burguesas, vestidas à maneira, de braço enlaçado nos homens.
Fazem-me todas medo, na maneira calada como conduzem as cerimónias e os maridos, mas gosto delas.
São mulheres que possuem; são mulheres que pertencem.
As mulheres do Norte deveriam mandar neste país.
Têm o ar de que sabem o que estão a fazer. Em Viana, durante as festas, são as senhoras em toda a parte.
Numa procissão, numa barraca de feira, numa taberna, são elas que decidem silenciosamente.
Trabalham três vezes mais que os homens e não lhes dão importância especial. Só descomposturas, e mimos, e carinhos.
O Norte é a nossa verdade.
Ao princípio irritava-me que todos os nortenhos tivessem tanto orgulho no Norte, porque me parecia que o orgulho era aleatório. Gostavam do Norte só porque eram do Norte. Assim também eu. Ansiava por encontrar um nortenho que preferisse Coimbra ou o Algarve, da maneira que eu, lisboeta, prefiro o Norte. Afinal, Portugal é um caso muito sério e compete a cada português escolher, de cabeça fria e coração quente, os seus pedaços e pormenores.
Depois percebi.
Os nortenhos, antes de nascer, já escolheram. Já nascem escolhidos.
Não escolhem a terra onde nascem, seja Ponte de Lima ou Amarante, e apesar de as defenderem acerrimamente, põem acima dessas terras a terra maior que é o 'O Norte'.
Defendem o 'Norte' em Portugal como os Portugueses haviam de defender Portugal no mundo. Este sacrifício colectivo, em que cada um adia a sua pertença particular - o nome da sua terrinha - para poder pertencer a uma terra maior, é comovente.
No Porto, dizem que as pessoas de Viana são melhores do que as do Porto. Em Viana, dizem que as festas de Viana não são tão autênticas como as de Ponte de Lima. Em Ponte de Lima dizem que a vila de Amarante ainda é mais bonita.
O Norte não tem nome próprio. Se o tem não o diz. Quem sabe se é mais Minho ou Trás-os-Montes, se é litoral ou interior, português ou galego? Parece vago. Mas não é. Basta olhar para aquelas caras e para aquelas casas, para as árvores, para os muros, ouvir aquelas vozes, sentir aquelas mãos em cima de nós, com a terra a tremer de tanto tambor e o céu em fogo, para adivinhar.
O nome do Norte é Portugal. Portugal, como nome de terra, como nome de nós todos, é um nome do Norte. Não é só o nome do Porto. É a maneira que têm de dizer 'Portugal' e 'Portugueses'. No Norte dizem-no a toda a hora, com a maior das naturalidades. Sem complexos e sem patrioteirismos. Como se fosse só um nome. Como 'Norte'. Como se fosse assim que chamassem uns pelos outros. Porque é que não é assim que nos chamamos todos?'

Miguel Esteves Cardoso

segunda-feira, dezembro 31, 2007

BOAS ENTRADAS!

Mais um ano que acaba e, novamente, da melhor forma possível!
Ano de profundas e óptimas mudanças que fazem olhar para o futuro com optimismo.

Que a magia chegue a vos, como chegou a mim…
A todos, uma

FELIZ ENTRADA EM 2008!

quarta-feira, dezembro 05, 2007

Gado Português

Imagem de Darkshadowmagus

O gado português têm vindo a aumentar consideravelmente neste últimos anos, principalmente desde que esta República começou a cair no buraco gerado pela crise económica.


O gado está a crescer por todo o pais, mas é o sul que têm gerado mais gado, principalmente a costa de Lisboa, originando algumas fugas para a costa de prata.

Incrível é que, precisamente nas regiões onde pior se come e não só, é onde o gado tem vindo a crescer.

Se o gado destas regiões, apesar de boa aparência e mugir refinado, sempre foi de má rés, este aumento tornou-se uma praga que urge eliminar.
Como? Há vários métodos eficazes que cabe a quem queira fazer alguma coisa escolher.


Eu já escolhi o meu ;)

domingo, novembro 25, 2007

quarta-feira, novembro 14, 2007

A primeira vez

Imagem de Alexbalix
Há sempre uma primeira vez para tudo!

E se essa primeira vez nos marca, dificilmente esquecemos...
Umas vezes pela positiva e outras... pela negativa!

Hoje é um dia desses que infelizmente, recordo...

segunda-feira, novembro 12, 2007

Katty Xiomara com nova loja no Porto!

Uma loja que vale a pena visitar!

Como desenhar uma loja de autor actual num espaço de uma casa burguesa do século XIX, preenchida por um imaginário de época? E como inserir essa mesma loja no quotidiano residencial da respectiva autora?
A nova loja de Katty Xiomara na Rua da Boavista, no Porto, é muito mais do que um espaço comercial; na sua atmosfera e enquadramento arquitectónico, pertence já a esse imaginário decorativo, prolongando a vida interior da casa renovada, entre elementos contemporâneos – um extenso armário habitável – e pormenores de detalhe – cortinas de veludo, provadores em seda, longos espelhos emoldurados – lembrando-nos que a moda, tal como a vida, evoca sempre o segredo mágico do Teatro.
Alexandra Grande

Da janela do nº795 da Rua da Boavista, no Porto, duas marionetas, suspensas no interior, acenam-nos e convidam-nos a entrar.
A recuperação da casa burguesa do séc. XIX esconde a loja da estilista Katty Xiomara, um espaço inspirado nos teatros e bibliotecas clássicas, lugares onde nos podemos encontrar com histórias.
Por trás dos tecidos, das rendas, dos folhos, das mangas de balão, das fitas e dos laços, a estilista constrói personagens que amam, beijam, riem, choram…
As peças de cada colecção ganham carácter e relacionam-se no cenário da sua loja. Um lugar com uma forte carga narrativa, algures suspenso (tal como as marionetas) entre a verdade criativa da estilista e a ficção poética da sua obra.
Joana Couceiro


Horário: de Segunda a Sexta 14h30 /19h30, Sábado 11h30 /15h30
Rua da Boavista 795 | 4050-110 Porto | Tel. 220133784 | Fax 220165627 info@kattyxiomara.com | www.kattyxiomara.com

quarta-feira, novembro 07, 2007

quinta-feira, novembro 01, 2007

ERRAR

Imagem de Sonikhanem
Quando erramos, descobrimos a fragilidade das coisas e pomos na balança o que é mais importante.

Quando erramos, aprendemos a rir de nós próprios.

E algumas vezes, quando erramos, coisas mágicas acontecem…

segunda-feira, outubro 22, 2007

Dar baile!

Imagem de NoDate
Dar baile a alguém é uma arte!
Mas como todas as artes, nem todos têm a capacidade para o exercer…

Quando bem feito e, mantendo o bom sentido de humor, é de aplaudir.
Mas irritante e patético é quando pessoas cobardes e com falta de carácter, mas que julgam-se experts na matéria, dão baile como forma de encobrir fraquezas.

Nesta república de bananas onde os almoços são o meio utilizado para tapar os olhos aos outros e onde a quantidade de xicos espertos por metro quadrado é impressionante, aparecem também estes graçolas que, definitivamente, não devem ter espelho em casa para verem a figura triste que fazem.

Enfim…

domingo, setembro 30, 2007

O troféu

Imagem de Negativemarionette
No mundo desportivo, regra geral, quando se ganha uma competição, ganha-se um troféu que pode ser uma medalha ou uma taça. Mas não é só no desporto que ganhamos troféus…
Na escola, no trabalho, na amizade e em outras tantas actividades, também acabamos por ganhar um troféu se temos um bom desempenho, que pode ser material ou não.

Até aqui, nada de anormal.

Anormal é quando, uma pessoa ou várias, depois de um bom desempenho no campo negativo, queira ter um troféu.
E muitas delas acaba por obtê-lo!

Numa sociedade completamente virada do avesso, onde o egocentrismo e egoísmo é cada vez mais dominante, existem seres que depois de usarem ao seu belo prazer uma pessoa em benefício próprio, como um simples objecto e sem se importar do que ela possa pensar ou sentir, queiram e, muitas vezes, acabam por obter, um objecto como troféu, que vai ser lembrança de conquista e confirmação do que conseguiram realizar.

O que aqui está em causa não é objecto em si, mas sim a atitude doentia destes seres.

É engraçado perceber estas situações e mais engraçado é ouvir as desculpas, quando percebemos que tal atitude foi tomada.

Em um mundo recheado de anormais e bestas, o melhor é rir perante tal situação…

sábado, setembro 29, 2007

As novas BESTAS

Imagem de Maus
Nos dias de hoje, a sociedade caminha para um destino, ao meu ver, bastante desanimador…
O tempo em que sensibilidade, compreensão, honestidade, carácter e altruísmo cada vez mais pertencem ao passado.
Hoje em dia a insensibilidade é uma constante associada a um egoísmo extremo e onde a falta de carácter veio para ficar.

Claro que existem excepções! Mas estas são cada vez mais raras de encontrar.

A igualdade entre homens e mulheres em diversos domínios da nossa sociedade não é ainda uma realidade absoluta, mas caminhamos a passos largos para isso.
Mas esta igualdade está a ser muito mal interpretada por uma grande parte da sociedade…

Começa a ser normal encontrar mulheres em domínios que eram masculinos, demonstrando muitas vezes maior capacidade no desempenho das funções que lhe são atribuídas e, o contrário (com os homens) também.

Mas este demonstrar de capacidades iguais ou superiores por parte das mulheres não é só no aspecto positivo…
As mulheres de hoje (salvo raras excepções) também começam a superar os homens no aspecto negativo.

Comentários do género: Todos os homens são umas bestas! são queixas que grande parte da população feminina ainda costuma dizer em tom de lamento, mas que hoje em dia não têm muita razão de ser.

Esta nova mulher é uma autêntica BESTA, superando muito as bestas masculinas que, infelizmente, ainda continuam a existir.

Esta mutação anormal de personalidade e comportamento da grande maioria das mulheres deixa-me de boca aberta. Insensibilidade, egoísmo, desonestidade e falta de carácter são sentimentos levados a extremos que nunca pensei serem possíveis, levando tudo a frente como um autêntico comboio desgovernado e com a única finalidade de atingir os objectivos que se propôs alcançar…

Então se começamos a falar de actos horrendos, chegamos a conclusão que já deixaram de ser exclusividade masculina, superando a anormalidade destes homens em frieza e execução!

Tenho que dar o meu braço a torcer e reconhecer que, no aspecto negativo, as mulheres são as melhores.

A todas as BESTAS que conheço (e são muitas) os meus pêsames!

terça-feira, setembro 18, 2007

They

Imagem de Bssnst06
Who made up all the rules
We follow them like fools
Believe them to be true
Don’t care to think them through

And I’m sorry so sorry
I’m sorry it’s like this
I’m sorry so sorry
I’m sorry we do this

And it’s ironic too

Coz what we tend to do
Is act on what they say
And then it is that way

And I’m sorry so sorry

I’m sorry it’s like this
I’m sorry so sorry
I’m sorry we do this

Who are they

And where are they
And how can they possibly
know all this
Who are they
And where are they
And how can they possibly
know all this

Do you see what I see

Why do we live like this
Is it because it’s true
that ignorance is bliss

Who are they

And where are they
And how do they
know all this
And I’m sorry so sorry
I’m sorry it’s like this

Do you see what I see

Why do we live like this
Is it because it’s true
that ignorance is bliss

And who are they

And where are they
And how can they
know all this
And I’m sorry so sorry
I’m sorry we do this
Jem

segunda-feira, setembro 17, 2007

A vida é apenas um passeio

Imagem de 2M
Vida...
Tão estranha
Tão cheia de mudanças...
Quando tudo está bem
Inesperadamente
Algo acontece
E ficamos
Arrasados...

E que ganhamos com isso?
Se a vida é apenas um passeio!

A verdade...
Muitas vezes não queremos ouvir
Por ser difícil de aguentar...
Não gostamos de
Perder nosso controle...
Fazemos planos
E se não saem como queremos
Ficamos Arrasados...

E que ganhamos com isso?
Se a vida é apenas um passeio!

A vida é apenas um passeio
Não é preciso correr
Nem é preciso esconder-se
Não é preciso ter medo
Nem é preciso cobrir os olhos
Umas vezes estamos em cima
Outras vezes estamos em baixo
Tudo pode parecer bem real por dentro
Mas a verdade é que
A vida é apenas um passeio

Por isso...
É melhor ir com calma
Devagar, devagar...
E aceitar que
Não há como saltar fora
Desta vida...
Porque este passeio
Nunca vai parar
Sendo melhor
Aproveita-lo
Porque a vida
É apenas um passeio...