terça-feira, setembro 29, 2026

As Sementes Que Ainda Quero Plantar


Eu ainda acredito
que algumas coisas bonitas
começam de forma quase invisível.

Uma palavra.

Um gesto.

Um pouco de ternura
num mundo que tantas vezes
se esquece de ser gentil.

Eu próprio já me cansei
de ver tanta coisa
a nascer do medo,

da raiva,

da indiferença,

como se endurecer o coração
fosse a única maneira
de sobreviver.

Mas eu não quero ser assim.

Quero plantar outra coisa.

Quero deixar no caminho
mais compreensão
do que julgamento,

mais abraços
do que distâncias,

mais esperança
do que desconfiança.

Talvez eu não consiga
mudar o mundo inteiro.

Talvez algumas feridas
sejam demasiado profundas
para serem curadas
por uma única pessoa.

Mas posso começar
por aquilo que está
ao meu alcance.

Posso escolher
as palavras que digo.

A forma como olho.

A maneira como trato
quem cruza o meu caminho.

Posso ser abrigo
num dia de tempestade.

Posso ser silêncio
quando alguém precisar
apenas de ser ouvido.

Posso estender a mão
sem perguntar
se a pessoa merece.

Porque talvez o amor
não seja apenas
aquilo que sentimos
por alguém especial.

Talvez também seja
aquilo que decidimos
deixar no mundo
depois de passarmos por ele.

E eu quero deixar luz.

Mesmo que seja pequena.

Mesmo que ninguém saiba
que fui eu quem a acendeu.

Quero acreditar
que uma coisa boa
pode gerar outra.

Que um sorriso
pode mudar um dia.

Que uma palavra
pode impedir uma despedida.

Que um gesto de carinho
pode devolver esperança
a alguém que já tinha desistido
de a procurar.

Eu também tenho
as minhas sombras.

Não sou feito apenas
de bondade ou certezas.

Tenho erros.

Tenho cicatrizes.

Tenho dias
em que também me perco.

Mas talvez seja precisamente
por conhecer a escuridão
que hoje dou mais valor
a qualquer pequena luz.

Por isso,
se tiver de escolher
o que quero cultivar,

escolho a esperança.

Escolho o amor.

Escolho a coragem
de continuar a acreditar
nas pessoas,

mesmo depois
de algumas me terem desiludido.

E se amanhã
alguém encontrar
uma pequena semente
no lugar por onde passei,

espero que a plante.

Que a regue.

Que tenha paciência
com os dias em que nada parece acontecer.

Porque algumas das coisas
mais bonitas da vida
crescem longe dos nossos olhos.

Talvez um dia
essas sementes floresçam
num lugar que nunca conhecerei.

E isso será suficiente para mim.

Porque já não preciso
de ver o resultado
de tudo aquilo que faço.

Quero apenas saber
que, enquanto estive aqui,

não deixei o mundo
exatamente igual
à forma como o encontrei.

Se consegui tornar
um único coração
um pouco mais leve,

se consegui devolver
um pouco de esperança
a alguém,

se consegui fazer
uma pessoa acreditar
que ainda vale a pena amar,

então já terá valido a pena.

E é assim que quero seguir:

com as mãos cheias
de sementes,

o coração aberto
ao inesperado

e a certeza
de que ainda há coisas bonitas
por nascer.

Talvez o futuro
não esteja escrito.

Talvez dependa também
daquilo que decidimos plantar hoje.

E eu,

se puder escolher,

vou plantar amor.

Vou plantar esperança.

Vou plantar aquilo
que gostaria de encontrar
quando olhar para o mundo
amanhã.

segunda-feira, setembro 28, 2026

O Amor Também Precisa de Água


Eu acredito que o amor
se parece muito com uma planta.

Não basta plantá-lo
e esperar que cresça sozinho.

É preciso cuidar.

Dar-lhe tempo.

Aproximar-se todos os dias
e perceber quando as suas folhas
começam a perder a cor.

Porque também o amor
tem sede.

Sede de palavras.

De atenção.

De pequenos gestos
que parecem insignificantes,
mas dizem:

“Estou aqui.”

Eu sei que a vida
nem sempre deixa espaço
para cuidar de tudo.

Há dias cansados.

Há preocupações.

Há silêncios que se prolongam
mais do que deviam.

Mas aprendi
que aquilo que amamos
não pode viver eternamente
daquilo que demos no passado.

Uma planta não sobrevive
porque foi regada ontem.

E um amor também não.

Precisa de presença.

Precisa de carinho.

Precisa daquela vontade
de continuar a escolher
a mesma pessoa
mesmo depois de o encanto inicial
se transformar em rotina.

Eu não quero um amor
que sobreviva por obrigação.

Quero um amor
que seja cuidado
porque ainda existe vontade
de o ver florescer.

Quero perguntar:

“Como estás?”

E realmente querer saber.

Quero ouvir
mesmo quando as palavras
são difíceis.

Quero abraçar
quando não houver respostas.

Quero estar presente
não apenas quando tudo
é bonito e fácil,

mas também quando houver
folhas caídas
e dias sem sol.

Porque sei que o amor
não morre apenas
por causa de uma grande tempestade.

Às vezes morre devagar,

num copo de água
que nunca chega,

num abraço adiado,

num “depois falamos”
que se transforma
em distância.

E eu não quero isso.

Se algum dia
as folhas do nosso amor
começarem a baixar,

quero perceber.

Quero aproximar-me.

Quero regar.

Quero cuidar.

Quero lembrar-me
de que amar alguém
não é apenas sentir.

É também fazer.

Todos os dias.

Mesmo nos pequenos detalhes.

Mesmo quando ninguém vê.

Porque uma flor pode ser linda
quando começa a abrir,

mas é o cuidado constante
que a mantém viva.

E eu quero ser esse cuidado.

Não quero prometer
que nunca haverá dias difíceis.

Quero prometer
que, quando chegarem,

não vou simplesmente
virar as costas.

Vou ficar.

Vou tentar.

Vou procurar a água
quando a terra estiver seca.

Vou procurar a luz
quando tudo parecer escuro.

Porque, para mim,

amar é isto:

não deixar morrer
aquilo que um dia
nos fez florescer.

E se depender de mim,

vou continuar a regar
o nosso amor,

até que as raízes
se tornem tão profundas

que nem o vento,

nem a distância,

nem os dias difíceis

consigam arrancá-lo

do lugar onde escolhi
plantá-lo:

dentro de mim.

domingo, setembro 27, 2026

Depois da Ponte


Durante demasiado tempo
tentei manter de pé
aquilo que já estava a cair.

Segurei pontes
construídas com promessas,
palavras partidas
e silêncios
que ninguém quis explicar.

Continuei a atravessá-las
mesmo quando cada passo
me dizia
que já não havia caminho
para o outro lado.

Fiquei.

Tentei compreender.

Perdoei mais vezes
do que devia.

E, cada vez que alguma coisa
me quebrava por dentro,
convencia-me de que era preciso
mais um esforço.

Mais uma oportunidade.

Mais uma tentativa.

Até perceber
que algumas pontes
não existem para nos levar
a algum lugar.

Existem apenas
para nos manter presos
ao lugar de onde tentamos sair.

Foi então que parei.

Olhei para trás
e vi tudo aquilo
que carregava comigo:

culpas que não eram minhas,
palavras que nunca devia
ter aceitado,
promessas que nunca foram cumpridas
e uma versão de mim
que passou demasiado tempo
a tentar ser suficiente
para alguém.

E percebi
que não precisava
de reconstruir aquela ponte.

Precisava de a deixar ir.

Não por ódio.

Não por vingança.

Mas porque finalmente
entendi que seguir em frente
também significa
saber quando parar de voltar.

Há despedidas
que parecem destruição,

mas são apenas
a forma que a vida encontra
de abrir espaço
para começarmos de novo.

Por isso, desta vez,
não vou olhar para trás
à procura de uma razão
para regressar.

Vou levar comigo
apenas aquilo que aprendi.

As cicatrizes.

A força.

A coragem
de ter sobrevivido
a tudo aquilo
que um dia pensei
que me destruiria.

E deixarei o resto
do outro lado.

Sem ressentimento.

Sem promessas.

Sem a necessidade
de provar nada a ninguém.

Porque descobri
que a minha paz
vale mais do que qualquer ponte
que me obrigue
a voltar ao passado.

Talvez um dia
olhe para aquele lugar
e já não sinta dor.

Talvez apenas gratidão
por ter tido coragem
de partir.

E quando isso acontecer,

vou perceber
que não perdi um caminho.

Ganhei liberdade.

Ganhei espaço
para respirar.

Ganhei a possibilidade
de construir algo novo
sem carregar
as ruínas do que ficou para trás.

A ponte pode desaparecer.

As memórias podem permanecer.

Mas eu continuo.

E desta vez,

não vou atravessar
para voltar ao passado.

Vou seguir em frente

até encontrar
um lugar onde não precise
de me perder
para conseguir ficar.

sábado, setembro 26, 2026

Só Mais Uma Noite


Há noites que parecem
ter sido feitas
para esquecer o relógio.

Aquelas em que o mundo
fica lá fora,

e tudo o que importa
é o instante
que estamos a viver.

Se eu pudesse escolher,
guardava uma noite contigo.

Sem pressa.

Sem perguntas.

Sem pensar no amanhã.

Apenas nós,
a rir de coisas sem importância,
a trocar olhares
que dizem muito mais
do que qualquer palavra.

Queria perder-me
nas tuas conversas,

na maneira como sorris,

naquela proximidade
que faz o coração
esquecer por alguns segundos
tudo o que existe à volta.

Talvez fosse só uma noite.

Mas há noites
que conseguem ficar
para uma vida inteira.

E eu sei que, contigo,
não precisaria de grandes planos.

Bastava uma música,

uma janela aberta,

a cidade iluminada lá fora

e o teu corpo perto do meu.

O resto podia esperar.

Queria sentir aquele momento
sem medo de que acabasse.

Porque às vezes
a felicidade não precisa
de promessas eternas.

Precisa apenas
de alguém que queira ficar
mais um pouco.

E eu ficaria.

Mesmo depois de a música terminar.

Mesmo quando a madrugada
começasse a nascer
por detrás das janelas.

Ficaria mais alguns minutos,

só para prolongar
a sensação de te ter perto.

Talvez te dissesse
que não quero que esta noite termine.

Talvez não dissesse nada.

Talvez apenas
te olhasse,

porque há momentos
em que falar
é estragar aquilo
que o silêncio está a dizer.

E se amanhã
tudo voltasse ao normal,

se cada um tivesse
de regressar à sua vida,

eu levaria comigo
esta noite.

O teu sorriso.

O teu olhar.

A tua presença.

A sensação de que,
por algumas horas,

o mundo inteiro
coube entre nós.

Por isso,
se me perguntasses
o que eu queria,

não pediria para sempre.

Pediria apenas
mais uma noite.

Uma noite sem medo,

sem distância,

sem passado,

sem futuro.

Só tu e eu,

a viver o presente
como se o tempo
tivesse finalmente aprendido
a parar.

E talvez,
quando o dia chegasse,

eu percebesse
que não precisava
de mais nada.

Porque algumas noites
não são apenas noites.

São aqueles raros momentos
em que a vida
nos lembra

como é bom

sentir.

sexta-feira, setembro 25, 2026

Voltar a Construir


Há coisas em mim
que já não reconheço.

Pequenas partes
que foram ficando pelo caminho,

entre escolhas que fiz,
palavras que calei
e sonhos que deixei
à espera de um momento melhor.

Olho para aquilo que fui
e percebo que algumas versões de mim
precisavam mesmo de desaparecer.

Não porque fossem fracas,

mas porque já não sabiam
como continuar a viver
sem carregar tudo às costas.

Às vezes é preciso
deixar uma estrutura cair
para perceber
o que realmente merece
ser reconstruído.

E eu estou nesse lugar.

Entre os destroços
daquilo que já não quero ser
e a vontade imensa
de começar outra vez.

Não quero juntar os pedaços
da mesma maneira.

Não quero reconstruir
as mesmas paredes
nem voltar a abrir
as mesmas portas.

Quero espaço.

Ar.

Luz.

Quero uma vida
onde possa respirar
sem estar constantemente
a tentar corresponder
àquilo que esperam de mim.

Talvez algumas coisas
tenham de ser desfeitas.

Algumas certezas.

Alguns medos.

Alguns laços
que confundia com destino.

Algumas promessas
que fiz a mim próprio
e que já não fazem sentido.

E não tenho medo
de admitir isso.

Aprendi que mudar
não significa apagar
quem fui.

Significa olhar para trás
e escolher conscientemente
o que merece continuar comigo.

Há memórias
que guardarei.

Há pessoas
que continuarão
a ter um lugar em mim.

Há cicatrizes
que não quero esconder.

Mas já não quero
que o passado
decida o tamanho
do meu futuro.

Quero reconstruir-me
com aquilo que sou agora.

Com as minhas imperfeições.

Com as minhas dúvidas.

Com aquilo que aprendi
quando tudo parecia ruir.

E talvez seja essa
a verdadeira liberdade:

não precisar de voltar
a ser quem era
só porque foi essa pessoa
que os outros conheceram.

Posso mudar.

Posso recomeçar.

Posso deixar cair
o que já não me sustenta.

E posso construir
algo que finalmente
tenha a minha forma.

Não sei exatamente
como será o amanhã.

Mas, pela primeira vez,
isso não me assusta.

Porque já não preciso
de ter todas as respostas.

Preciso apenas
de continuar a escolher
aquilo que me faz inteiro.

Se for necessário
desmontar tudo,

eu desmonto.

Se for preciso
começar com uma única pedra,

começo.

E, desta vez,

cada coisa que eu construir
terá uma razão:

não para impressionar alguém,

não para esconder as minhas falhas,

não para parecer forte,

mas para criar
um lugar dentro de mim
onde eu possa finalmente
sentir-me em casa.

Porque talvez
a minha maior transformação
não seja tornar-me
uma pessoa diferente.

Talvez seja, finalmente,

ter coragem

de ser

quem sempre fui.

quinta-feira, setembro 24, 2026

Preciso de Algo Assim


Há dias em que sinto
que preciso de qualquer coisa
que me faça esquecer
a monotonia dos dias iguais.

Não procuro uma fuga.

Procuro uma sensação
que me acorde por dentro,
que faça o coração acelerar
e me devolva aquela vontade
de viver sem pensar demasiado.

Preciso de algo
que não tenha efeitos secundários,
que não me roube a lucidez,
mas que consiga transformar
um dia comum
num momento impossível de esquecer.

E então apareces tu.

Com esse sorriso
que desarma as minhas defesas,
com esse olhar
que parece saber exatamente
onde tocar
sem sequer me tocar.

Talvez sejas tu
aquilo que eu procurava
sem saber que procurava.

Não uma cura
para aquilo que me falta,

mas uma razão
para deixar de procurar.

Porque contigo
não preciso de esquecer o mundo.

Quero senti-lo.

Quero rir mais alto,
ficar acordado até tarde,
inventar planos sem sentido,
perder-me em conversas
que nunca queremos terminar.

Quero aquela vertigem
que começa num olhar
e termina num sorriso.

Quero a tua presença
nos meus dias bons
e nos dias em que tudo pesa.

Quero sentir
que ainda existe dentro de mim
uma parte capaz de se surpreender,
de desejar,
de sonhar
e de se apaixonar.

E se o amor tem mesmo
alguma espécie de loucura,

então talvez eu não queira
ser curado.

Quero apenas
continuar a sentir
esta coisa estranha e bonita
que acontece quando penso em ti.

Porque há pessoas
que nos fazem perder o equilíbrio.

E há pessoas
que nos fazem perceber
que nunca estivemos
tão vivos.

Tu és assim.

Não preciso de outra coisa.

Preciso apenas
desse instante em que apareces,

desse sorriso que fica comigo
mesmo depois de partires,

e dessa sensação
de que, por alguns momentos,

o mundo inteiro
fica exatamente
onde devia estar.

E talvez seja isso
que eu sempre procurei:

não algo que me faça
esquecer a vida,

mas alguém
que me faça

querer vivê-la

com muito mais intensidade.

quarta-feira, setembro 23, 2026

Se Pudesses Ouvir-me


Há perguntas
que ficam para sempre
sem encontrar resposta.

Há ausências
que não se explicam
com palavras,

porque existem despedidas
que deixam no coração
um silêncio impossível de preencher.

Às vezes penso
no que diria
se pudesse falar contigo
mais uma vez.

Talvez não encontrasse
as palavras certas.

Talvez apenas te abraçasse
e ficasse em silêncio,

porque há sentimentos
que nenhuma frase
consegue carregar.

Pergunto-me
se me reconhecerias,

se saberias
quanto pensei em ti,

quantas vezes
o teu nome atravessou
os meus pensamentos
sem que ninguém percebesse.

A vida continuou.

Os dias passaram.

As pessoas sorriram,

os relógios não pararam,

e o mundo pareceu esquecer
que, algures dentro de mim,
ficou um lugar
onde o tempo nunca avançou.

Aprendi a viver
com a saudade.

Não porque tenha deixado
de doer,

mas porque percebi
que amar alguém
também pode significar
carregar a sua ausência
com ternura.

Há momentos
em que olho para o céu
e imagino que existe
alguma forma de distância
onde ainda nos podemos encontrar.

Talvez num sonho.

Talvez numa memória.

Talvez naquele instante
em que o coração aperta
sem razão aparente
e, por um segundo,
parece que estás perto.

Se pudesses ouvir-me,

dir-te-ia que não esqueci.

Que algumas pessoas
não desaparecem verdadeiramente.

Mudam de lugar.

Deixam de estar
ao nosso lado

e passam a viver
dentro de nós.

Nas pequenas coisas.

Num sorriso.

Numa música.

Num céu ao entardecer.

Num momento inesperado
em que a saudade
chega sem avisar.

E talvez seja essa
a única maneira
de continuar a amar
quem já não podemos abraçar:

guardar a sua existência
naquilo que somos.

Hoje sigo em frente,

mas não te deixo para trás.

Levo comigo
aquilo que me ensinaste,

aquilo que senti,

aquilo que nunca conseguirei explicar
completamente.

E quando a saudade
se torna demasiado pesada,

fecho os olhos
e imagino que, algures,
onde não existem distâncias
nem despedidas,

o nosso reencontro
já aconteceu.

Até lá,

continuarei a viver.

A sorrir quando conseguir.

A amar.

A guardar-te
no lugar mais silencioso
do meu coração.

Porque há pessoas
que partem demasiado cedo,

mas deixam uma luz
que o tempo não consegue apagar.

E enquanto essa luz
continuar dentro de mim,

uma parte de ti
continuará a caminhar comigo,

mesmo que os meus olhos
já não te possam encontrar.